O Telefone Preto 2 é um thriller sobrenatural que aborda o lado psicológico, sem esquecer do terror

Poucas sequências conseguem ser melhor que o filme original, e O Telefone Preto 2 foi capaz de conseguir esse feito e quebrar a maldição das sequências. O longa é um thriller sobrenatural espetacular que mostra o peso de traumas passados e conta com um roteiro criativo, que soube reinventar a história do primeiro filme.

O Telefone Preto 2 expande o universo sombrio criado por Joe Hill e Scott Derrickson e mostra as consequências dos eventos anteriores e como os dois irmãos estão lidando com isso. Mais aterrorizante que o primeiro filme, a segunda parte é ainda melhor.

A história do novo filme

Anos depois de escapar do Sequestrador (Ethan Hawke), Finn (Mason Thames) ainda é atormentando pelo trauma de ter sido raptado. Mesmo que ele tenha sobrevivido a essa situação, ele ainda não superou isso e procura refúgio em brigas ou substâncias ilícitas. As lembranças do sequestro ainda perduram em sua mente.

A sua irmã, Gwen (Madeleine McGraw), começa a receber ligações do telefone preto em sonhos e a ter visões perturbadoras de três garotos sendo perseguidos em um acampamento de inverno. Os dois irmãos vão para esse lugar em busca de respostas, que tem relação com a mãe deles que morreu.

Ao chegar no acampamento eles encontram o Sequestrador, que agora está mais forte do que nunca na morte. Lá, eles descobrem que anos atrás, três garotos desapareceram e esse crime tem ligação com o vilão.

O Telefone Preto 2

O Telefone Preto 2 vai além do terror tradicional

Ao contrário de muitos filmes de terror, o que se vê em O Telefone Preto 2 não é o susto pelo susto, todos os acontecimentos são bem estruturados e o longa consegue envolver quem estiver assistindo.

A produção tem um roteiro bastante criativo, sendo um ótimo thriller sobrenatural e consegue ser melhor que o seu antecessor. Já no primeiro filme há um tom sobrenatural, e a continuação consegue ir além, mostrando as cicatrizes do passado, sem esquecer da premissa do original.

Assim, o novo filme tem uma clara inspiração em A Hora do Pesadelo, criada por Wes Craven, com o mundo dos sonhos de Gwen interferindo na realidade. Outro filme que parece inspirar O Telefone Preto 2 é Sexta-Feira 13, que também se passa em um acampamento com um assassino à solta.

O impacto do trauma na vida dos irmãos

Os dois irmãos lidam com seus traumas de maneiras distintas. Enquanto Gwen busca compreender seus sonhos e ajudar os mortos que aparecem neles a encontrar paz, Finn tenta se anestesiar com maconha e negação, além de se meter em brigas para extravasar a sua raiva.

A infância dos dois foi construída com base no medo, e sua juventude consiste em lidar com as consequências desses traumas e ainda com a adolescência e busca por identidade.

Assim, há também drama nessa história, em que os dois irmãos tem que lidar com um passado difícil e ainda serem aterrorizados pelo espírito do Sequestrador, que está mais forte do que nunca.

O Telefone Preto 2 é mais sobrenatural

O diretor Scott Derrickson aposta em uma abordagem mais ousada nessa sequência. Se no primeiro filme o terror é mais psicológico, nesse segundo longa o diretor mergulha de vez no sobrenatural, mas sem esquecer do lado psíquico.

A atmosfera agora é um horror mais explícito com várias cenas assustadoras. Há também mudanças na estética visual, como nas sequências de sonho de Gwen, onde é mostrada uma fotografia granulada e distorcida, parecido com um found footage, que intensifica o terror e o desconforto.

Com o novo tom do longa, mais brutal e chocante, o diretor foi corajoso em não repetir a fórmula do primeiro e mostrar a volta do Sequestrador como uma forma de explorar trauma e culpa. O assassino estar de volta, representa o passado que nunca morre e a força de traumas profundos.

Uma continuação melhor que o primeiro filme

O longa é uma sequência corajosa, que expande o universo criado por Joe Hill e Scott Derrickson, e se aprofunda no componente sobrenatural, além de continuar explorando o vínculo familiar dos dois irmãos, que é o coração do filme.

Apesar do longa ter um ritmo mais lento, a produção é um ótimo filme de terror, com aspectos dramáticos. O lado psicológico continua sendo um dos pontos centrais da trama, mostrando que o filme faz mais que assustar.

O Telefone Preto 2 consegue manter o clima sombrio e angustiante do primeiro filme com sustos, atmosfera sufocante e uma história que expande o universo do primeiro longa sem perder sua essência. É uma produção que entrega terror e emoção na medida certa.

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Jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e pós-graduanda em Ciência Política pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap). Apaixonada por tudo que envolve cultura pop e adora escrever sobre qualquer coisa que se passa pela sua mente. Louca por Demi Lovato, Taylor Swift, Harry Styles e Lana Del Rey e, sempre que possível, faz de tudo para ver um show deles. Contato: raquel.santa.rosa@hotmail.com

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