Mário Pool: entre a educação, o imaginário e a palavra
Por trás do escritor Mário Augusto Pool existe um educador inquieto, um pesquisador curioso e um contador de histórias movido pela mesma força que o faz ensinar: o desejo de compreender o mundo e compartilhá-lo com os outros.
Nascido em Rio Grande (RS), em 1964, e morador de Porto Alegre por adoção e paixão, Pool construiu uma trajetória marcada pelo entrelaçamento de duas vocações, a pedagógica e a literária, que se alimentam mutuamente.
“Tudo o que aprendi na sala de aula, levei para a literatura. E tudo o que escrevi, de algum modo, transformou também meu olhar como educador”, afirma.
Entre o ensino e a imaginação
Formado em Pedagogia, com especialização em Multimeios e Informática Educativa, Mário Pool tornou-se doutor em Educação e dedicou sua carreira ao ensino superior. Mas nunca foi um professor convencional: interessava-se menos pelas regras e mais pelas descobertas. Suas pesquisas giram em torno da gamificação e do uso de jogos e RPG como ferramentas pedagógicas, transformando o aprendizado em uma experiência criativa.
Foi fundador e diretor da ULBRA TV, canal educativo que produziu projetos de jornalismo e teledramaturgia, unindo comunicação, arte e educação. Essa convivência com a linguagem audiovisual o ajudou a compreender o poder das narrativas; algo que, mais tarde, marcaria seu estilo literário.
Casado e pai de três filhos, Pool sempre viu na família e no cotidiano as fontes mais genuínas de inspiração. “A literatura é a continuidade da vida. O que não se diz em voz alta, a gente escreve”, comenta.
A estreia na ficção e o gosto pela experimentação
Embora já fosse autor de artigos e livros acadêmicos sobre tecnologia e juventude, Mário Pool estreou na literatura de ficção em 2016, após passar por cursos da Editora Metamorfose, onde aprimorou técnicas de escrita criativa. A partir dali, o escritor se lançou em coletâneas, contos, novelas e romances, transitando com naturalidade entre o real e o fantástico.
Para ele, escrever é tanto uma necessidade estética quanto uma forma de investigação humana. “A escrita é meu laboratório. Nela, testo ideias, emoções e comportamentos”, diz.

Em “No Nevoeiro”, sua primeira novela, Pool combina a atmosfera do sobrenatural com a delicadeza do amadurecimento. Inspirado em sua vivência com esportes náuticos e no clube de vela que frequenta com a família, o livro acompanha o percurso de um adolescente diante do medo, da fé e da transformação. “Quis captar aquele instante em que o jovem, entre o susto e o encantamento, começa a entender o próprio poder de mudar o rumo das coisas.”
O autor e seus universos
A força de Mário Pool está na diversidade de temas e formatos que abraça. Suas obras atravessam o realismo, a ficção científica, o drama humano e o mistério, sempre com uma marca autoral clara: a empatia pelos personagens e a curiosidade pelo que move as pessoas.
Entre suas principais publicações estão:
- No Nevoeiro – Novela que reflete o universo adolescente sob o prisma do sobrenatural e da fé.
- Cartas aos Originários – Ficção científica que imagina uma civilização negra vinda do espaço, retornando à Terra após milênios.
- Enigmas na Ilha do Presídio – Aventura juvenil ambientada no Guaíba, onde quatro amigos descobrem mistérios na Ilha das Pedras Brancas.
- O Adolescente e a sua Relação com a Virtualidade – Obra acadêmica que analisa o impacto da mediação digital na vida dos jovens.
- Contos de Mochila – Reunião de histórias sobre a adolescência, abordando bullying, sexualidade, sonhos e descobertas.
- Anti-Heróis – Coletânea que discute o conceito de heroísmo contemporâneo em múltiplas vozes.
- O Estampador – Lançado na Feira do Livro de Porto Alegre em 2022, narra o drama de jovens presos em uma fábrica abandonada após um protesto.
- Parada 90 – Romance adaptado de uma série de TV produzida por Pool, sobre amadurecimento e reconciliação familiar.
- O Lacaio – Suspense histórico ambientado na Segunda Guerra Mundial, envolvendo segredos e memórias de um sobrevivente.
- O Antiquário – Romance de espionagem e relações familiares, centrado no vínculo entre um pai e um filho em meio a intrigas internacionais.
- O Vizinho Alemão – Aventura juvenil em Porto Alegre, onde três garotos investigam um misterioso vizinho com um passado nazista.
- Bomani e as Torres Malditas – História de mistério e redenção protagonizada por um jovem negro que descobre uma injustiça do século XVII.
- O Conto dos Homens – Reúne narrativas masculinas que tratam de medos, legados e autoconhecimento.
- O Banquete – Antologia literária que mistura gastronomia, prazer e memória afetiva.
- Desafios Educacionais Criativos – Livro de reflexão pedagógica sobre inovação, jogos e cibercultura.
- Escola Digital: Entendendo o Novo Contexto – Obra organizada por Pool e Lucia Giraffa, reunindo especialistas da PUCRS para discutir tecnologia e educação.
- Planeta Fantástico (volumes 1 e 2) – Coletâneas de contos de fantasia, horror e ficção científica.
- Primeira Pessoa – Antologia que explora o desafio da escrita em primeira pessoa e o exercício da empatia.
- Traíra – Suspense ecológico com uma forte crítica social.
Essa lista, longe de ser apenas bibliográfica, revela a inquietude de um autor que se recusa a se repetir. “Não me interesso em escrever sempre o mesmo livro. Cada história pede sua própria linguagem, seu próprio mundo”, afirma.
A fusão entre o educador e o escritor
Na literatura, Mário Pool traz o olhar de quem observa a educação como espaço de invenção. Seu trabalho com RPGs e desafios criativos se reflete na construção de mundos narrativos e na forma como conduz o leitor: não como espectador, mas como participante.
“Quando escrevo, quero que o leitor se mova junto comigo; que ele também precise escolher, arriscar, interpretar”, explica. Essa mesma filosofia o acompanha em sala de aula, onde acredita que aprender é sempre uma aventura compartilhada.
Entre o educador e o ficcionista, há um fio condutor: a crença na imaginação como ferramenta de transformação. “A literatura e a educação partem da mesma premissa: acreditar no ser humano e no que ele pode criar quando se permite imaginar”, resume.
O presente e o que vem a seguir
Atualmente, Mário Pool trabalha em novos projetos, mantendo sua rotina dividida entre a gestão educacional, a escrita e a família. Continua envolvido com oficinas literárias e com a divulgação de autores independentes, além de participar ativamente de eventos como a Feira do Livro de Porto Alegre.
Seu desejo é seguir explorando novas fronteiras literárias e, ao mesmo tempo, continuar aprendendo. “Escrever é também estudar o mundo”, diz, com a serenidade de quem transforma conhecimento em arte.
Entre a educação e a ficção, Mário Pool constrói uma obra que une método e imaginação, reflexão e emoção. Um autor que navega entre o real e o fantástico, e que, como seus personagens, nunca deixa de buscar novos horizontes; seja no mar, na sala de aula ou na página em branco.
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