Otávia Silla: a multiartista que transformou intensidade, música e desejo perigoso em literatura visceral

Otávia Silla é uma cantora, compositora e multiartista do interior de São Paulo que atravessou anos de palcos, noites em bares, festivais barulhentos e silêncios íntimos antes de assumir, de vez, o título que a acompanhava desde a infância: escritora.

Sua estreia na ficção longa, A Casa de Nossos Nomes, não é apenas um romance noir psicológico adulto. É o território onde sua voz artística; marcada por intensidade, risco e poesia, finalmente encontra uma casa própria.

Em Capitolina, a pequena cidade fictícia onde se passa a obra, o que está em jogo não é apenas o amor proibido, mas as estruturas de poder, trauma, culpa e desejo que moldam personagens que nunca caberiam em histórias leves. Otávia escreve para quem sente fundo, e para quem não teme mergulhar.

Da música para a literatura: uma mesma intensidade, outras formas de gritar

Antes de ser autora, Otávia foi a menina que escrevia compulsivamente: diários, cenas soltas, fragmentos de personagens que surgiam da observação do cotidiano e da estranheza humana. Escrever, para ela, começou como refúgio e virou necessidade.

A carreira musical veio primeiro: anos cantando em cidades pequenas, criando músicas autorais, participando de palcos improvisados e festivais. Um microfone sempre esteve por perto. Mas, paralelamente, um caderno também. Ela nunca deixou de escrever; apenas não mostrava.

O ponto de virada veio quando segurou o próprio livro impresso nas mãos. “Eu sempre escrevi, então ser escritora já estava meio entranhado em mim, mas quando o livro chegou e eu vi meu nome ali eu pensei: ok, agora é pra valer.”

A partir desse momento, a autora mergulhou de vez na ficção longa, encontrando na escrita a mesma profundidade emocional que sempre levou para a música.

Uma autora que escreve com o corpo inteiro

A literatura de Otávia Silla pode ser resumida em três palavras que ela mesma escolheu: visceral, poética e ousada.

Seu estilo se ancora no noir psicológico, com narrativas íntimas em primeira pessoa, personagens moralmente ambíguos e relações que transitam entre amor, culpa, poder e destruição. Ela escreve romances proibidos que se recusam à superficialidade.

“A Casa de Nossos Nomes” nasceu do incômodo: Eu estava lendo muitos livros ruins com temáticas do ‘proibido’ e pensei: por que não escrever algo que tenha desses romances clichês, mas que traga profundidade e responsabilidade?”.

O resultado é um romance que dialoga com o imaginário do “perigoso”, mas com densidade emocional e crítica sobre o que o poder faz com o amor, e o que o amor faz com quem tem poder.

Entre suas referências estão Anne Rice, Clarice Lispector, cinema, música e traços da cultura pop. Otávia é especialista em transformar pequenas coisas: um gesto, um silêncio, um objeto esquecido; em gatilhos narrativos que movem universos inteiros.

Escrever sem ritual: a história que arranca espaço para existir

Se existisse um manual rígido para rituais de escrita, Otávia o ignoraria. Ela escreve como vive: no caos, no movimento, na convivência com o barulho das pessoas que ama. O cachorro no pé. O gato no colo. O marido vendo TV. Amigos conversando enquanto ela abre o laptop no meio da mesa do bar. Um trecho nasce entre uma cerveja e outra.

“Se a história está em mim, eu não preciso de ritual. É só sentar pra escrever que ela sai. Eu nunca passei por bloqueio depois que a história já está em mim.”

O processo de escrita de A Casa de Nossos Nomes começou pelo incômodo e se estruturou como um universo próprio: Capitolina, seus pactos de sangue, suas famílias poderosas, suas casas que sabem mais do que deveriam.

No centro está Marianna, a protagonista cuja jornada atravessa culpa, desejo, devoção, violência e as cicatrizes herdadas. O livro olha menos para a “máfia” como estética e mais para o que a herança de poder faz com o íntimo.

O futuro: trilogia, música e um novo romance incendiário

“A Casa de Nossos Nomes” é apenas o início de uma trilogia. O primeiro livro termina do jeito que ninguém queria, mas é necessário para que a Marianna saia daquele eixo e se torne a mulher foda que ela nasceu para ser.”

Nos próximos volumes, Otávia amplia a guerra emocional e política das famílias Garofallo e Senatore, aprofundando o impacto psicológico da protagonista e expandindo o território narrativo.

Paralelamente, trabalha em Entre Cordas e Correntes, um romance contemporâneo sobre música, contrato abusivo, investigação e uma relação intensa entre uma cantora solo e o chefão de uma gravadora poderosa.

A autora não esconde: seguirá publicando histórias nos próximos anos. Sempre intensas. Sempre profundas. Sempre com personagens que não sabem viver pela metade.

“Eu me entreguei por inteiro porque não sei fazer nada pela metade. Esse livro vem de todos os meus pedaços quebrados, mas também do tipo de amor que eu devoto. Eu não sei amar pela metade.”

É essa entrega visceral, musical, feroz, que atravessa sua estreia na literatura e que promete moldar tudo o que ainda virá. Otávia Silla escreve para quem sente demais, vive demais, ama demais. E que, por isso, encontra nela uma autora que ousa ir até o fim.

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Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

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