Paloma Severo: da periferia de Juiz de Fora à literatura que acolhe e transforma
Nascida e criada na periferia de Juiz de Fora, em Minas Gerais, no bairro São Judas Tadeu, Paloma Severo carrega na escrita as marcas vivas de sua origem. Filha de dona Madalena, cresceu em meio à potência dos laços comunitários, aprendendo desde cedo que a vida em coletivo é feita de partilhas, afetos e resistência. Hoje, aos 30 anos, é com esse repertório de memórias e aprendizados que constrói sua trajetória como psicóloga, educadora e autora.
Estudante de escola pública e formada em Psicologia pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), Paloma acredita na educação como ferramenta de transformação social. Para ela, palavra e escuta não são apenas instrumentos profissionais, mas caminhos para a construção de futuros possíveis. Essa visão atravessa tanto sua prática quanto sua produção literária.
Psicologia e literatura: pontes entre escuta e criação
A formação em Psicologia não apenas ampliou sua compreensão sobre o comportamento humano, como também refinou seu olhar para as subjetividades. A escuta atenta, essencial à prática psicológica, tornou-se também um dos pilares de seu processo criativo.
Paloma observa as histórias que a atravessam no cotidiano, as próprias experiências, as vivências em comunidade, os encontros profissionais, e as transforma em textos que acolhem e provocam reflexão. Seu trabalho literário nasce do contato com o outro, da sensibilidade para perceber o que muitas vezes passa despercebido.
A autora transita entre poesia e narrativa, explorando temas como pertencimento, sonhos, identidade, autoconhecimento e relações humanas. Sua escrita é marcada por um olhar que não se limita ao indivíduo isolado, mas o insere em uma dimensão social mais ampla. Há sempre uma preocupação com o coletivo, com o tecido social que sustenta, ou fragiliza, as trajetórias pessoais.
Primeiros passos na literatura
A trajetória como autora começou nas antologias, espaços que possibilitaram compartilhar sua voz com outros escritores e leitores. Paloma participou da antologia Poemas de Amor para Curar o Mundo, pela Editora Articule, obra que reúne textos atravessados pela esperança e pela crença no poder restaurador da palavra.
Também integrou a antologia O Livro Mágico das Histórias Fantásticas, igualmente publicada pela Editora Articule, ampliando seu repertório criativo ao dialogar com o universo da imaginação e da fantasia. Em 2025, participou da Antologia Poética Poesia Livre 2025 – Seleção Poesia Brasileira, organizada pela Vivara Editora Nacional, consolidando sua presença no cenário literário contemporâneo.

Essas participações revelam uma autora em movimento, que experimenta gêneros e amplia horizontes, sem abandonar a marca que define sua escrita: a sensibilidade como eixo central.
Um estilo atravessado por afetos
A literatura de Paloma Severo nasce da experiência vivida. Seus textos são construídos a partir de emoções reais, de histórias concretas e de reflexões que emergem do contato com o público em seu trabalho como psicóloga e educadora.
A autora transita entre a poesia e a narrativa com naturalidade. Na poesia, explora o íntimo, os sentimentos e as inquietações que habitam o sujeito contemporâneo. Na narrativa, amplia o foco, conectando as vivências individuais às dinâmicas sociais e comunitárias.
Pertencimento é uma palavra-chave em sua obra. Crescer na periferia de Juiz de Fora não é apenas um dado biográfico, mas um elemento estruturante de sua visão de mundo. A comunidade aparece como espaço de formação, de resistência e de sonho. Ao mesmo tempo, seus textos não romantizam as dificuldades: reconhecem os desafios, mas insistem na potência dos vínculos e da educação.
Há em sua escrita um desejo constante de acolher. Não se trata de suavizar conflitos, mas de oferecer um espaço seguro para que o leitor se reconheça, reflita e se permita sentir.
O processo criativo: escuta, memória e presença
Para Paloma, o processo criativo surge de insights que brotam da própria experiência e do contato com o outro. Não há uma fórmula rígida, mas um estado de atenção permanente.
As histórias que escuta em seu cotidiano profissional, as memórias da infância em São Judas Tadeu, os encontros e desencontros da vida adulta, tudo pode se transformar em matéria literária. A escrita é, para ela, uma forma de organizar o mundo interno e dialogar com o mundo externo.
Essa escuta atenta é o que confere autenticidade aos seus textos. A autora escreve a partir de vivências reais, sem perder a delicadeza e a imaginação necessárias à criação literária. Cada história carrega um pouco de sua trajetória, mas também abre espaço para que o leitor inscreva suas próprias experiências.
“Brincando em Comunidade”: infância, sonho e transformação
O próximo grande passo da autora é o lançamento do livro infantil Brincando em Comunidade, que estará presente na Expo Bett Brasil 2026, considerada a maior feira de educação da América Latina. A obra dialoga diretamente com suas raízes e com sua crença na educação como motor de mudança.
No livro, Rafa, um menino de 6 anos, convida o leitor a conhecer sua rotina na comunidade de São Judas Tadeu. Com olhar curioso e afetuoso, ele compartilha as experiências com a família, os vizinhos e a escola. A narrativa valoriza as pequenas alegrias do cotidiano, os laços de solidariedade e o poder transformador da educação.

Ao participar de uma feira de profissões, Rafa descobre um novo sonho: ser médico veterinário. A história, simples e potente, reafirma a importância de sonhar, especialmente quando se cresce em contextos onde as oportunidades nem sempre são iguais para todos.
Mais do que um livro infantil, Brincando em Comunidade é uma declaração de princípios. É a celebração da infância periférica, da convivência comunitária e da esperança que nasce quando alguém acredita que pode ir além.

Palavra como cuidado e compromisso
Paloma Severo constrói sua trajetória literária com a mesma ética que orienta sua atuação profissional: a de cuidar. Para ela, escrever é um gesto de responsabilidade com o outro. É oferecer palavras que acolham, provoquem e inspirem.
Entre a psicologia e a literatura, entre a periferia e a universidade, entre a escuta clínica e a imaginação poética, Paloma segue reafirmando que educação, comunidade e afeto são forças capazes de transformar realidades.
Sua escrita é convite e abrigo. É memória e projeto de futuro. É, sobretudo, a prova de que a palavra, quando nasce do chão da experiência, pode florescer como instrumento de mudança coletiva.
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