Rosângela Galdino e Limeira: quando a dor se transforma em luz e a literatura vira caminho de cura

A trajetória de Rosângela Galdino e Limeira carrega a força das histórias que nascem do cotidiano, mas que se agigantam quando encontradas pela escrita.

Mulher simples, sensível e profundamente conectada à sua origem, ela estreia na literatura com Dalila, a garotinha da roça que virou rainha, obra infantojuvenil que nasce de um lugar raro: aquele em que a dor encontra uma forma de dizer e, ao dizer, transforma.

A seguir, a autora abre sua memória, sua casa e seu coração; numa reportagem que registra não apenas o nascimento de um livro, mas o florescimento de uma nova voz literária.

Das ruas de Cajati ao universo dos livros

Rosângela nasceu em Cajati, pequena cidade do interior paulista onde viveu uma infância marcada pela simplicidade e pela liberdade dos dias grandes: subir em árvores, brincar na rua, inventar mundos. Entre desafios financeiros e muito afeto, cresceu estudiosa, obediente e sonhadora: uma menina que observava tudo com olhos atentos, guardando silenciosamente as histórias que um dia contaria.

Cajati permanece na autora como uma espécie de território afetivo. É, ao mesmo tempo, paisagem e fundamento. Tudo o que viria depois, os caminhos profissionais, a maternidade, o encontro com a escrita; carrega, de algum modo, as raízes da menina que aprendeu cedo que a vida podia ser dura, mas também cheia de brechas para o encantamento.

Hoje, Rosângela atua no Atendimento Psicopedagógico, acompanhando estudantes com dificuldades de aprendizagem. É nesse espaço de escuta diária, convivendo com medos, bloqueios e descobertas, que ela encontra a matéria viva que permeia seu trabalho. “Por mais que eu acolha, aprendo muito mais do que ensino”, afirma.

Dalila: quando uma história real se torna missão literária

Dalila, a garotinha da roça que virou rainha não nasce como projeto: nasce como necessidade. Por trás da delicadeza do título, há uma narrativa inspirada em uma história real de sua família, marcada por perda, saudade e um tipo de dor que exige coragem para ser dita.

A autora conta que a escrita surgiu numa madrugada de insônia, em meio à instabilidade emocional que insistia em apertar o peito. Ela sentou-se, abriu um caderno e deixou que as palavras encontrassem seu próprio caminho. O que começou como desabafo virou história; o que era choro virou texto; e o que era silêncio virou livro.

Por ser uma narrativa tão íntima, Rosângela decidiu ilustrar a obra com desenhos seus. “Não queria que o olhar de outra pessoa substituísse a sensibilidade das imagens originais que guardo comigo”, explica. Assim, texto e ilustrações formam um único gesto: preservar, com ternura, aquilo que a memória ainda toca.

O tema, delicado e muitas vezes silenciado, é apresentado aos leitores com leveza e verdade, duas forças que só uma escritora profundamente honesta consigo mesma consegue equilibrar.

A solidão do processo e o alívio da entrega

Escrever o livro foi, antes de tudo, um ato de sobrevivência emocional. Rosângela revela que passou boa parte do processo sozinha, sem dividir com ninguém o que estava construindo. Talvez por proteção, talvez por medo, talvez por sentir que aquele momento exigia recolhimento.

Quando enfim mostrou o livro às pessoas próximas, ele já estava pronto. “Era como mostrar uma cicatriz fechada”, diz. A obra, contudo, não marcou apenas uma etapa superada, tornou-se missão.

“Acredito que em tudo Deus tem um propósito”, repete com firmeza. E seu propósito é claro: alcançar leitores em sofrimento, crianças e adultos que perderam o brilho da vida e precisam, novamente, encontrar uma fresta de luz.

Um livro que toca e transforma

Dalila é um desses livros que, ao falar de uma única menina, conversa com todas. Ao falar de uma dor particular, ecoa dores coletivas. Ao falar de perda, anuncia esperança.

Esse propósito nasce do modo como Rosângela trata o tema: com honestidade, delicadeza e profunda consciência do impacto literário e humano que deseja provocar. Seu livro não pretende apenas emocionar, pretende fortalecer.

Na prática psicopedagógica, ela vê diariamente o quanto a leitura abre caminhos inesperados. E entende que, ao contar uma história que precisa ser contada, ajuda outras crianças a nomearem sentimentos que não conseguem organizar sozinhas.

Entre futuro e fé

Publicar o primeiro livro é, para Rosângela, o início de uma jornada maior. Ela deseja que Dalila chegue ao maior número possível de leitores, escolas, bibliotecas e profissionais da educação. Que a obra gere conversas, reflexões, acolhimentos e, principalmente, transformações.

“O que eu mais quero”, diz, “é que essa história ajude alguém a reencontrar a esperança.”

Enquanto isso, segue escrevendo, acolhendo, trabalhando com estudantes e desenhando os próximos passos, movida pela fé de que a literatura pode ser, sim, uma forma de cura.

Rosângela encerra sua mensagem aos leitores com um chamado do tamanho do mundo, simples, direto e profundamente bonito:

“A leitura liberta!
Não deixe que nenhuma DOR comprometa a sua felicidade.
Viva intensamente.
Viver é sublime.”

E é justamente essa mistura de coragem, delicadeza e verdade que faz de Rosângela Galdino e Limeira uma autora necessária: alguém que escreve não para se afastar da vida, mas para iluminá-la.

Siga Rosângela Galdino no Instagram e fique por dentro de todas as novidades.

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Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

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