Santiago Delgado: o autor que transforma a literatura em instrumento de inquietação histórica e chamado ao presente
Santiago Delgado nasceu em Madrid, em 10 de agosto de 2000, em uma família espanhola que mudaria para o Brasil quando ele ainda era muito pequeno. Essa travessia precoce entre países, culturas e modos de ver o mundo marcou sua formação, mesmo que ele só tenha compreendido isso mais tarde.
Foi na infância, já em território brasileiro, que o primeiro alicerce do escritor começou a se formar: o hábito da leitura. A mãe lia para ele constantemente, incentivava sua curiosidade, e alimentava uma intimidade com os livros que se tornaria decisiva. Antes de saber que seria escritor, Santiago foi leitor, e um leitor apaixonado.
Na adolescência, a literatura que antes era imaginação tornou-se instrumento de compreensão. Ele desenvolveu um interesse crescente por História, pela dinâmica dos conflitos humanos e pelas perguntas que atravessam o tempo. Esse fascínio o levou ao bacharelado e à licenciatura em História pela PUC-SP, formação que lhe ofereceu as bases críticas e metodológicas para entender fenômenos sociais com profundidade.
Hoje, além de prestar concursos públicos, Santiago manifesta desejo de especializar-se em biblioteconomia ou arquivologia, áreas que dialogam com sua paixão pela memória, pela preservação de narrativas e pelo estudo das estruturas que organizam o conhecimento humano. Também projeta atuar como professor, um desdobramento natural de sua vocação para observar, explicar e interrogar o mundo.
Uma trajetória construída entre estudo, crítica social e observação das estruturas de poder
Antes de publicar, Santiago passou anos consumindo e analisando narrativas de peso moral, filmes policiais como Sin City, séries como Law and Order, histórias de investigação que exploram o limite entre ética, crime, poder e fanatismo. Essas obras moldaram não apenas seu imaginário, mas sua sensibilidade para observar comportamentos humanos em situações extremas.
Suas aulas na graduação, marcadas por debates sobre ideologia, política, movimentos sociais e colapsos históricos, também foram determinantes. Santiago percebeu ali que literatura poderia ser um método de reflexão, uma forma de denunciar o que passa despercebido.

Ele escreve porque conhece, de perto, a máquina social que tenta reduzir complexidades a simplificações perigosas. E porque se recusa a ser espectador dessa redução.
O nascimento de Testemunho: um romance escrito para incomodar
O maior desafio do autor foi o mais simples de enunciar e o mais difícil de sustentar: passar uma mensagem que fosse maior do que a própria trama.
Segundo ele, O Testemunho existe por causa de uma urgência:
“O mundo de hoje precisa de mudança. E não podemos aceitar respostas fáceis.”
Ambientado no Império Alemão pré-Primeira Guerra Mundial, o romance revela um território profundamente fanatizado, atravessado por tensões culturais e políticas que, décadas depois, permitiriam a ascensão do nazismo. Mas Santiago não escreve para explicar o passado, ele escreve para iluminar o mecanismo da repetição.
Seu objetivo nunca foi construir uma narrativa de entretenimento. Ele queria um incômodo. Ele queria o estranhamento de perceber que, apesar de ambientado no início do século XX, Testemunho fala do nosso tempo: mudanças climáticas ignoradas, miséria persistente, conflitos geopolíticos agravados, violência naturalizada, apatia crescente.
Por isso, sua maior alegria foi justamente a recepção dos leitores.
As críticas, até agora extremamente positivas, confirmam que Santiago conseguiu o que buscava: fazer o leitor pensar.
A mensagem central: sair da apatia
Perguntado sobre o que deseja que o público compreenda ao terminar o livro, ele reforça o que está no cerne de sua obra:
“Estamos vivendo um colapso climático e social. Vem COP, vai COP, e tudo continua igual. Estamos à beira de uma III Guerra Mundial e o mundo está apático. Meu livro é um convite a sair da apatia.”
Santiago utiliza a ficção histórica para questionar o presente. A trama funciona como alegoria, e também como alerta. O leitor é confrontado não apenas com os erros de uma época, mas com a permanência desses erros na nossa própria sociedade.
Embora escritor, Santiago cita majoritariamente o audiovisual como principal fonte de inspiração. Isso explica o ritmo de investigação que seu texto carrega, o clima de tensão silenciosa, os personagens que operam na fronteira entre convicção e delírio.
O que vem depois: a continuação de uma inquietação
Testemunho não termina em si mesmo, e não poderia. Santiago revela que a segunda parte da história já está em construção. Discreto, ele adianta apenas um detalhe:
“A continuação será narrada por uma certeza que todos temos.”
Um enigma proposital, que sugere uma mudança radical de perspectiva, talvez filosófica, talvez simbólica, certamente, provocadora.
Além disso, ele desenvolve outro projeto: um romance de terror religioso ambientado durante a pandemia de COVID-19, explorando medos coletivos, desamparo espiritual e a fragilidade humana diante de crises contemporâneas.
Santiago Delgado escreve para quem não aceita o mundo como está
Sua literatura não promete soluções. Promete perguntas. E são elas que movimentam suas narrativas.
Ao ler Santiago, o leitor percebe que não está diante de um autor que busca consenso, mas de alguém que escreve para tensionar.
Testemunho é, antes de tudo, um gesto ético: um livro que convoca à reflexão, à mudança, ao desconforto necessário.
Porque, como o próprio autor insiste, a história é clara demais para ser ignorada. E a apatia, hoje, é o maior perigo.
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