Amanda Gallego: a autora que descobriu na literatura infantil uma nova forma de transformar o mundo

Durante mais de duas décadas, Amanda Gallego construiu sua trajetória no universo corporativo. Administradora de empresas e atuando no mercado de datatech, estava acostumada a um ambiente guiado por estratégias, processos e resultados. Mas, em algum momento, percebeu que ainda existia espaço para um sonho que caminhava em outra direção. Foi assim que a literatura infantil entrou definitivamente em sua vida.

Sem abandonar a experiência construída ao longo da carreira, Amanda decidiu abrir espaço para um novo projeto pessoal: escrever histórias para crianças. Não como uma mudança impulsiva, mas como uma forma de explorar aquilo que sempre despertou sua curiosidade: o universo da infância, das diferentes culturas e conexões.

Hoje, além de administradora e mãe, ela se define como uma exploradora das experiências que ajudam a compreender melhor o mundo das crianças.

Histórias que nascem da delicadeza

Existe uma ideia que atravessa toda a escrita de Amanda Gallego: a de que a infância é um dos momentos mais importantes para cultivar valores que acompanharão as pessoas por toda a vida.

Por isso, suas histórias procuram falar de amizade, empatia, respeito e amor de forma natural, sem transformar esses temas em lições moralizantes.

Ela prefere pensar que cada livro funciona como uma pequena semente de afeto, curiosidade e gentileza plantada durante a leitura.

Sua literatura nasce desse desejo de fortalecer vínculos entre crianças, famílias e histórias, acreditando que um livro pode ser muito mais do que entretenimento.

Da ideia ao primeiro livro

Embora as histórias surgissem com facilidade, transformar uma ideia em um livro publicado revelou-se um processo muito mais complexo do que Amanda imaginava.

Acostumada ao mercado de tecnologia e inovação, ela precisou conhecer um universo completamente diferente: o editorial.

Descobriu que publicar um livro envolve decisões importantes que vão muito além da escrita. Escolher uma editora, compreender os processos de produção, definir parceiros e entender cada etapa da publicação tornou-se parte da jornada. Foi uma experiência nova, marcada por aprendizados constantes.

Curiosamente, Amanda afirma que criar a história foi a parte mais simples. Sua mente, segundo ela, está sempre cheia de novas ideias.

O verdadeiro desafio foi transformar essa criatividade em um texto consistente, estruturado e alinhado às exigências de uma obra destinada ao público infantil.

A importância da imagem na literatura para crianças

Outro aspecto que recebeu atenção especial foi a escolha da ilustradora. Amanda sabia exatamente o tipo de linguagem visual que desejava para seu livro.

Depois de conhecer o trabalho de diversos profissionais, encontrou na ilustradora Ju Paiva o estilo que procurava: ilustrações alegres, coloridas, delicadas e capazes de dialogar diretamente com a primeira infância.

Durante esse processo, também descobriu a riqueza do mercado brasileiro de ilustração. Cada artista apresentava uma identidade própria, diferentes técnicas e formas particulares de interpretar os textos.

Essa convivência ampliou ainda mais sua compreensão sobre o quanto imagem e narrativa caminham juntas quando o leitor é uma criança.

Escrever para crianças é escrever para famílias

Embora seus livros sejam direcionados ao público infantil, Amanda entende que a experiência da leitura quase sempre envolve mais pessoas. Pais, mães, avós, professores e cuidadores costumam compartilhar esse momento com as crianças.

Por isso, procura construir histórias que possam ser apreciadas em diferentes níveis.

Enquanto os pequenos acompanham personagens e descobertas, os adultos também encontram espaço para refletir sobre convivência, afeto e relações humanas.

É uma escrita simples na linguagem, mas cuidadosa na construção dos significados.

O encontro com os leitores

Depois do lançamento de seu primeiro livro, Amanda passou a viver uma fase completamente nova.

A repercussão da obra e o contato direto com leitores têm proporcionado experiências que, até pouco tempo atrás, faziam parte apenas da imaginação.

Neste ano, participa de dois dos principais eventos literários do país. Em julho, estará na Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), no estande da Escreva Garota. Já em setembro, marcará presença na Bienal do Livro de São Paulo.

Mais do que oportunidades de divulgação, ela enxerga esses encontros como momentos de aproximação entre autores, leitores e famílias que compartilham o gosto pela literatura infantil.

Um novo desafio: falar sobre acessibilidade

Mesmo vivendo intensamente a estreia como autora, Amanda já trabalha em seu próximo livro. Desta vez, escolheu abordar um tema que considera urgente: a acessibilidade.

A nova obra continuará voltada às crianças, mas trará uma reflexão sobre as dificuldades enfrentadas diariamente por milhões de pessoas com limitações motoras.

Segundo a autora, muitas vezes a falta de empatia nasce simplesmente da ausência de convivência e de conhecimento sobre essas realidades.

Por isso, acredita que a literatura infantil pode contribuir para formar uma geração mais sensível às diferenças.

Sua proposta é tratar o assunto com leveza, utilizando uma linguagem acessível e situações capazes de despertar identificação nas crianças e também em suas famílias.

Uma escrita que nasce da curiosidade

Ao observar sua trajetória, chama atenção o fato de Amanda não ter chegado à literatura movida por uma formação acadêmica na área ou por uma longa carreira editorial.

Seu caminho foi construído a partir da curiosidade pelas pessoas, por diferentes culturas, pela infância e na capacidade que uma boa história possui de aproximar mundos aparentemente distantes.

Talvez seja justamente essa característica que explique a naturalidade com que transita entre o ambiente corporativo e a literatura.

Enquanto um universo exige planejamento, estratégia e organização, o outro pede imaginação, sensibilidade e escuta. Amanda descobriu que não precisava escolher apenas um deles.

Literatura para cultivar futuros

Depois de mais de vinte anos dedicados ao mercado corporativo, Amanda Gallego encontrou na literatura infantil um espaço para exercitar outra forma de transformação. Em vez de trabalhar apenas com números, processos e negócios, passou a investir em histórias capazes de despertar curiosidade, empatia e afeto desde os primeiros anos de vida.

É uma mudança que revela mais do que uma nova carreira. Revela a convicção de que as histórias também têm o poder de formar pessoas e que, às vezes, uma simples leitura compartilhada pode deixar marcas que acompanham uma criança por muito mais tempo do que se imagina.

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Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

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