Rafael R. R. Ferreira: conheça o autor que transforma terror, fantasia e referências aos games em literatura
Antes de publicar seus primeiros contos, Rafael R. R. Ferreira já criava personagens, desenvolvia universos fictícios e experimentava diferentes maneiras de contar histórias. O interesse começou na infância, passou pelas redações escolares, encontrou espaço na música e nos jogos digitais e, finalmente, chegou à literatura. Carioca e apaixonado por narrativas fantásticas, o escritor construiu uma trajetória marcada pela influência dos videogames, do RPG e do heavy metal, referências que continuam presentes em sua produção.
Sua estreia em livro aconteceu em 31 de outubro de 2024, data escolhida para dialogar diretamente com o gênero da obra. Publicado pela Editora Amélie, XIII reúne treze contos de terror escritos a partir de 2019, muitos deles durante a pandemia de COVID-19. As histórias exploram diferentes manifestações do medo e também carregam experiências pessoais transformadas em ficção.
Agora, Rafael prepara uma mudança de território literário. Depois de explorar o terror, concluiu em 2026 a história de seu primeiro romance de alta fantasia, projeto que começou a desenvolver mais de uma década antes e que originalmente seria um jogo eletrônico.
Dos primeiros livros aos mundos imaginários
A relação de Rafael com a fantasia foi construída ainda na infância. O interesse pela leitura ganhou força quando devorou os três primeiros volumes da saga Harry Potter, descobrindo o prazer de acompanhar personagens por aventuras que se estendiam de um livro para outro.
Mais tarde, recebeu dos pais e da irmã uma edição completa de O Senhor dos Anéis, presente que consolidou sua admiração pela alta fantasia.
A criação de histórias, entretanto, já fazia parte de sua rotina escolar. Inspirado pela popularidade de Pokémon e Digimon, Rafael começou a desenvolver, com dois amigos, um universo próprio de monstros, personagens e roteiros. Sempre que encontrava oportunidade, levava essas ideias para as redações.
A experiência continuou durante a faculdade de Jogos Digitais, quando escreveu roteiros para projetos acadêmicos e aprofundou o interesse pela construção narrativa.
Em 2013, surgiu a primeira versão de um universo de fantasia pensado para um jogo inspirado nos títulos clássicos de God of War. A falta de recursos e o encerramento do estúdio formado durante a faculdade interromperam o desenvolvimento, mas a ideia permaneceu guardada.
Quando o heavy metal também contava histórias
A música foi outro espaço importante para a formação criativa de Rafael. Baixista da banda de heavy metal Outer Heaven, participou da composição de letras autorais inspiradas principalmente nos videogames.
A experiência permitiu que exercitasse a construção de narrativas em uma linguagem diferente da prosa. Personagens, conflitos e atmosferas passaram a encontrar expressão também nas músicas.
Essa convivência entre diferentes formas de criação permanece em sua identidade literária. Rafael procura incorporar referências aos jogos, ao RPG e ao heavy metal em seus textos, algumas discretas, outras mais evidentes.

Seu processo criativo revela, assim, uma trajetória que não separa rigidamente os interesses artísticos. As experiências como leitor, músico e jogador contribuem para a maneira como imagina histórias e desenvolve universos ficcionais.
O terror como porta de entrada para a publicação
O primeiro conto escrito por Rafael foi Abandone Toda a Esperança, em 2019, inspirado em um projeto de seu MFA em Game Design.
Naquele período, o autor consumia frequentemente filmes, séries e jogos de terror. A proximidade com o gênero influenciou sua escrita e o incentivou a participar de seleções para antologias literárias.
Em 2020, publicou Oedon na Antologia Abyssal, da Lura Editorial. No ano seguinte, participou de Noturno: O Lado Oculto da Alma, também da Lura, com o conto Epiphania, escrito em coautoria. Ambas as coletâneas foram organizadas pela escritora J. C. Gray.
Essas primeiras publicações representaram um passo importante para Rafael, que passou a enxergar a literatura como um caminho concreto para desenvolver as histórias que imaginava.
Treze maneiras de explorar o medo
A construção de XIII aconteceu ao longo de diferentes momentos. Embora o primeiro conto tenha sido escrito em 2019, a pandemia trouxe novas motivações para o projeto.
O isolamento, as incertezas e as dificuldades daquele período despertaram no autor a vontade de transformar sentimentos e acontecimentos em narrativas de terror.
Em Solidão, por exemplo, Rafael trabalhou emoções relacionadas a problemas vividos em um relacionamento anterior. Já CoViZD-19 nasceu de sua indignação diante de pessoas que desrespeitavam as medidas de isolamento. O conto Aparições, por sua vez, foi inspirado em um personagem criado para o RPG de mesa Cyberpunk 2020.
A ideia de reunir os textos em um livro começou a ganhar forma em 2021. Quando concluiu o material inicialmente planejado, porém, percebeu que havia onze histórias.
Foi então que o simbolismo do número treze passou a orientar o projeto. Interessado nas diferentes interpretações culturais e religiosas associadas ao número, especialmente sua ligação com o mau agouro, Rafael decidiu utilizá-lo como título em algarismos romanos: XIII. A escolha também faz referência ao arcano da morte do Tarô de Marselha.
Para completar a proposta, escreveu mais dois contos, VII e Ubume, chegando às treze narrativas que compõem a publicação.
O resultado é uma coletânea que não se limita a um único subgênero. Rafael busca uma escrita direta, fluida e visceral, explorando diferentes atmosferas e possibilidades do terror.
O retorno à alta fantasia
Enquanto desenvolvia os contos de XIII, Rafael também retomou, em 2020, aquele universo fantástico idealizado durante a faculdade.
Dessa vez, decidiu abandonar o formato de jogo e transformar o projeto em literatura. A mudança permitiu recuperar personagens e ideias que haviam permanecido sem desenvolvimento desde 2013.
Em 2026, concluiu a história do primeiro livro, ainda sem título divulgado ou data definida para publicação. Sua expectativa é lançá-lo nos próximos dois anos, iniciando uma saga e marcando sua estreia no romance e fora do gênero de terror.
A nova etapa representa uma continuidade de interesses que acompanham Rafael desde a infância. A alta fantasia, descoberta e cultivada por meio de suas leituras, volta a ocupar o centro de sua produção, agora sustentada pela experiência adquirida com os contos publicados.
Entre sessões de RPG, shows de rock e novos projetos literários, Rafael R. R. Ferreira segue desenvolvendo uma escrita alimentada por diferentes linguagens. Depois de transformar experiências pessoais e referências culturais em treze histórias de terror, prepara-se para apresentar o universo fantástico que começou a imaginar ainda na faculdade. Sua trajetória literária reúne, dessa maneira, o jovem que inventava monstros com os amigos, o músico que escrevia narrativas em forma de canção e o autor que agora encontra nos livros espaço para desenvolver mundos inteiros.
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