Vitor Hugo: conheça o autor que transformou o amor pela sobrinha em uma história sobre empatia e respeito às diferenças
Foi enquanto observava a sobrinha Letícia brincar com tintas que Vitor Hugo encontrou a inspiração para seu primeiro livro. A menina, que adora pintar e costuma demonstrar esperteza e empatia, acabou se tornando a principal referência para a criação de Lelê, protagonista de A Fada Sem Cor. A história infantil representa a realização de um desejo que acompanha o escritor desde a infância: transformar sua imaginação em narrativas capazes de encantar e transmitir mensagens importantes.
Nascido em 19 de agosto de 1998, em Divinópolis, Minas Gerais, cidade onde cresceu e continua vivendo, Vitor sempre demonstrou interesse por universos fantásticos. Magia, ficção científica, extraterrestres e personagens imaginários fizeram parte de suas referências desde cedo.
Hoje, além de escritor, é professor de língua inglesa e mantém uma relação próxima com a educação, área que influencia diretamente sua maneira de compreender a literatura e seu papel na formação das pessoas.
Uma infância cercada pela imaginação
Vitor se descreve como uma criança calma e reservada, que preferia desenhar e inventar histórias a participar de brincadeiras mais agitadas.
Desde pequeno, encontrava prazer em imaginar personagens e acontecimentos que escapavam da realidade cotidiana. Seus enredos frequentemente envolviam magia, fantasia e mundos diferentes daquele em que vivia.
O interesse por essas possibilidades criativas também aparece em outra paixão: as bonecas, que coleciona há dezesseis anos.
A coleção faz parte de sua identidade e acompanha uma trajetória marcada pelo apreço por personagens, elementos visuais e diferentes formas de expressão.
Embora tenha criado histórias durante boa parte da vida, foi somente com A Fada Sem Cor que conseguiu transformar uma dessas ideias em uma obra literária concretizada.
O livro reúne duas dimensões importantes de sua experiência: a imaginação cultivada desde a infância e o afeto presente na convivência familiar.
A educação como escolha de vida
Ao final da adolescência, Vitor decidiu cursar Letras, com habilitação em Português e Inglês, e seguir carreira como professor de língua inglesa.
Começou a exercer a profissão em 2020, justamente quando a pandemia de COVID-19 modificou profundamente a rotina das escolas e dos profissionais da educação.
Iniciar a carreira naquele contexto representou uma experiência marcante para sua formação pessoal e profissional.
Desde então, Vitor permanece dedicado ao ensino e à continuidade dos estudos. Atualmente, prepara-se para ampliar sua trajetória acadêmica, com a conclusão de uma especialização em ensino de inglês prevista para dezembro de 2026 e o objetivo de ingressar posteriormente no mestrado. Seu desejo é tornar-se professor universitário.
A dedicação à educação também revela uma convicção que acompanha sua atuação: a importância de contribuir para o desenvolvimento do ensino brasileiro.
Essa preocupação aparece na maneira como pensa suas histórias, especialmente quando escreve para crianças.
Para Vitor, a literatura pode oferecer oportunidades de conversar sobre valores, convivência e respeito, aproximando a imaginação de questões presentes no cotidiano.
A menina que inspirou uma fada
A origem de A Fada Sem Cor está diretamente ligada à relação de Vitor com sua sobrinha Letícia.
O escritor participa ativamente de sua criação desde o nascimento e descreve a menina como alguém que ocupa um lugar muito próximo ao de uma filha em sua vida.
A inspiração surgiu em um momento simples da rotina familiar. Enquanto Letícia pintava e acabava se sujando de tinta, Vitor imaginou uma personagem que reunisse algumas das características que mais admira nela.

Assim nasceu Lelê, uma fadinha sem cor que gosta de pintar e utiliza sua inteligência e empatia para enfrentar dificuldades.
A personagem carrega não apenas o nome inspirado em Letícia, mas também traços de sua personalidade.
Outra figura familiar encontrou espaço na narrativa: a fada Naná, mãe de Lelê, foi inspirada na irmã do escritor, especialmente em sua risada alta e marcante.
Essas referências mostram como Vitor transformou pessoas próximas em personagens de um universo fantástico, preservando na ficção características afetivas que reconhece na convivência cotidiana.
Uma história sobre enxergar além das diferenças
Embora tenha nascido de uma brincadeira infantil, A Fada Sem Cor apresenta uma proposta que ultrapassa o encantamento da fantasia.
O principal objetivo de Vitor é transmitir uma mensagem sobre respeito às diferenças e a importância de não julgar alguém por suas características.
A protagonista, uma fada que não possui cor, permite abordar a diversidade de maneira acessível ao público infantil.
Ao mesmo tempo, sua capacidade de agir com esperteza e empatia demonstra que aquilo que torna uma pessoa diferente não determina seu valor ou suas possibilidades.
O autor também procura reforçar a importância de fazer o bem, princípio que considera fundamental e que costuma trabalhar com seus alunos.
Essa aproximação entre literatura e educação não significa transformar a história em uma lição rígida. A proposta é utilizar os elementos da fantasia para apresentar situações que despertem identificação e reflexão.
A trajetória de Lelê permite que o leitor acompanhe uma personagem cuja diferença faz parte de sua identidade, mas não limita sua capacidade de agir e contribuir.
Entre a sala de aula e os mundos fantásticos
A estreia com A Fada Sem Cor representa uma continuidade natural dos interesses de Vitor.
A escrita sempre esteve presente em sua vida, mas agora encontra espaço para alcançar leitores além de seu círculo pessoal.
A experiência como professor também contribui para essa nova etapa. Ao conviver diariamente com estudantes, Vitor reconhece a importância de abordar temas como respeito, empatia e convivência desde a infância.
Sua produção literária nasce, portanto, do encontro entre imaginação, experiências familiares e valores que considera essenciais na educação.
Ao mesmo tempo, o escritor não pretende limitar sua trajetória à literatura infantil.
Novas histórias em desenvolvimento
Depois de apresentar Lelê aos leitores, Vitor já considera a possibilidade de escrever uma continuação para as aventuras da fadinha.
O projeto ainda não possui previsão definida de lançamento, mas demonstra seu interesse em continuar explorando o universo criado a partir da relação com a sobrinha.
Paralelamente, trabalha em outras duas propostas literárias: um drama e uma obra que reúne ficção científica e fantasia.
Os projetos representam oportunidades de desenvolver diferentes aspectos de sua imaginação e experimentar gêneros que também fazem parte de suas preferências como leitor e criador.
A ficção científica, especialmente, permite que Vitor retome o fascínio por realidades alternativas e elementos extraordinários que o acompanha desde criança.
Um escritor que encontra inspiração nos afetos
A trajetória de Vitor Hugo reúne experiências que, à primeira vista, pertencem a universos distintos: a paixão pela fantasia, o interesse por personagens imaginários, a dedicação ao ensino e a convivência familiar.
Em A Fada Sem Cor, esses elementos encontram um ponto de ligação.
A menina que brincava com tintas inspirou uma protagonista capaz de demonstrar que as diferenças merecem respeito e que a empatia pode transformar situações.
Para Vitor, a publicação do primeiro livro representa também a possibilidade de compartilhar valores que procura transmitir em sala de aula, agora por meio de uma narrativa fantástica.
Enquanto continua seus estudos e desenvolve novos projetos, o autor segue construindo uma trajetória na qual educação e literatura se complementam. Sua estreia mostra como uma experiência cotidiana, observada com atenção e afeto, pode dar origem a uma história que conversa com questões importantes da infância e da convivência humana.
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