Cláudia Selinga: a autora que leva mais de 30 anos de experiência com a infância para a literatura

Depois de mais de três décadas trabalhando diretamente com crianças, Cláudia Mara Selinga conhece a importância de prestar atenção ao que acontece nos pequenos detalhes. Uma reação inesperada, uma pergunta aparentemente simples ou a maneira particular como uma criança interpreta determinada situação podem revelar muito sobre a infância. Agora aposentada, ela começa a transportar parte dessa experiência para outro espaço: a literatura.

Formada como professora e em Gestão Pública, com pós-graduação em Políticas Públicas, Cláudia atuou por mais de 30 anos como educadora infantil no município de Araucária, no Paraná. Durante sua trajetória profissional, acumulou experiências tanto na Educação Infantil quanto no Ensino Especial, convivendo com diferentes realidades, necessidades e formas de aprendizagem. É justamente desse repertório construído no cotidiano que surge grande parte de sua inspiração como escritora.

Embora ainda considere sua trajetória literária iniciante, Cláudia já sabe que não pretende transformá-la em uma experiência passageira. Há novos personagens, títulos e projetos sendo desenvolvidos, com atenção especial à literatura destinada às crianças e aos jovens.

Um olhar formado dentro da educação

A longa experiência como educadora influencia diretamente a maneira como Cláudia observa as histórias que pretende contar.

Foram décadas acompanhando diferentes etapas do desenvolvimento infantil e percebendo como cada criança estabelece sua própria relação com o mundo. Essa convivência contribuiu para desenvolver uma sensibilidade especialmente importante para quem decide escrever para esse público.

A autora leva para seus textos um olhar interessado em aspectos que, muitas vezes, passam despercebidos pelos adultos.

Não se trata apenas de conhecer pedagogicamente a infância, mas de ter convivido diariamente com suas descobertas, dificuldades, fantasias e possibilidades.

Ao se aposentar da educação municipal, Cláudia encontrou na escrita uma maneira diferente de continuar próxima desse universo. Se antes sua comunicação acontecia principalmente dentro dos espaços educacionais, agora as histórias permitem que esse diálogo alcance crianças e famílias através dos livros.

Escrever primeiro, organizar depois

O processo criativo de Cláudia começa de maneira bastante espontânea. Quando uma ideia aparece, sua prioridade é registrá-la imediatamente.

Ela evita interromper esse primeiro impulso tentando organizar cada frase ou determinar antecipadamente todos os caminhos da narrativa. Prefere escrever aquilo que surge e deixar para um segundo momento o trabalho de reorganização e estruturação.

A estratégia possui uma justificativa simples: uma boa ideia pode desaparecer quando não é registrada. Somente depois dessa primeira etapa a autora retorna ao material, reorganiza os pensamentos e começa a dar forma ao texto.

Embora reconheça que a escrita também exige técnica, Cláudia preserva essa liberdade inicial como parte importante de seu método. É nesse momento que personagens, situações e possibilidades narrativas começam a aparecer com maior naturalidade.

O cotidiano como matéria-prima

Quando pensa em uma nova história ou personagem, Cláudia dificilmente precisa procurar inspiração em lugares distantes.

Seu principal repertório está no cotidiano. As vivências acumuladas ao longo da vida, especialmente aquelas relacionadas ao trabalho na educação, oferecem situações, percepções e questionamentos que podem posteriormente ganhar novos significados dentro da ficção.

Isso não significa simplesmente reproduzir acontecimentos reais. O cotidiano funciona como ponto de partida para a imaginação. Uma observação pode gerar um personagem. Uma situação comum pode provocar uma aventura. Uma experiência pode despertar uma pergunta que, mais tarde, se transforma em narrativa.

Para Cláudia, chegar à literatura depois de tantos anos dedicados à educação também possui um significado pessoal. Ela reconhece a escrita como um dom pelo qual sente gratidão a Deus e entende que sua própria trajetória contribuiu para conduzi-la até esse novo momento.

Pedrinho e uma cadeira de rodas nada convencional

O primeiro grande passo dessa fase é Pedrinho e Sua Cadeira de Rodas Fantástica. A obra apresenta um personagem que já nasceu com perspectivas de continuar vivendo outras aventuras.

Cláudia planeja transformar Pedrinho no protagonista de uma coleção, desenvolvendo novas histórias marcadas por aventura, diversão e imaginação.

A escolha também dialoga com sua experiência no Ensino Especial. Em vez de limitar o personagem à cadeira de rodas, a proposta abre espaço para que ele participe de aventuras e explore as possibilidades oferecidas pela fantasia.

A cadeira, como o próprio título antecipa, é fantástica. Essa abordagem permite inserir a diversidade na literatura infantil dentro de histórias que também querem divertir e estimular a imaginação das crianças.

Pedrinho, portanto, não foi pensado para existir em apenas um livro. A intenção é que cresça literariamente por meio de novas experiências e situações.

Uma produção que não ficará restrita à inclusão

Embora a estreia dialogue com diversidade e inclusão, Cláudia não pretende restringir sua produção literária exclusivamente a esses temas.

A autora possui outros títulos que deseja publicar futuramente, direcionados principalmente à Educação Infantil e ao público infantojuvenil. Os assuntos poderão variar conforme cada projeto.

Essa possibilidade de experimentar diferentes histórias é coerente com a fase que vive atualmente. Depois de uma carreira profissional extensa e consolidada, sua trajetória como escritora ainda está começando e, justamente por isso, permanece aberta a diferentes caminhos.

O ponto de encontro entre esses projetos deverá continuar sendo o público com o qual Cláudia conviveu durante grande parte da vida.

Uma nova etapa depois de três décadas ensinando

A aposentadoria poderia representar apenas o encerramento de uma longa carreira na educação. Para Cláudia Selinga, acabou abrindo espaço para desenvolver uma habilidade que reúne muito do que aprendeu durante esses anos.

A experiência profissional não precisa ser deixada para trás para que a escritora possa surgir. Pelo contrário: ela oferece repertório para que Cláudia construa personagens e situações com um conhecimento próximo da infância e de suas diferentes realidades.

Com Pedrinho e Sua Cadeira de Rodas Fantástica, a autora inaugura uma trajetória que pretende ampliar com novas aventuras do personagem e outros projetos destinados às crianças e aos jovens.

Depois de mais de 30 anos participando diretamente da formação de pequenos alunos, Cláudia encontra na literatura uma maneira de continuar presente nesse universo. Mudou o espaço, mudou a forma de comunicação, mas permaneceu o interesse por aquilo que a infância possui de mais fértil: sua capacidade de imaginar possibilidades onde os adultos, muitas vezes, enxergam apenas limites.

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Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

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