Ademir Henrique dos Santos: o bibliotecário que encontrou na poesia coragem para transformar observações em versos

Durante mais de três décadas, os livros fizeram parte da rotina profissional de Ademir Henrique dos Santos, o AHS. Antes de ocupar as páginas como autor, ele construiu uma trajetória dedicada a organizar, preservar e aproximar conhecimento e leitores. Bibliotecário desde 1995, encontrou justamente nesse convívio permanente com a palavra escrita um ambiente fértil para alimentar uma antiga vontade: um dia, também publicar aquilo que escrevia.

Bacharel em Biblioteconomia pela Universidade Estadual de Londrina (UEL) e mestre em Biblioteconomia pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas (PUCCAMP), Ademir desenvolveu uma carreira sólida na Universidade Estadual de Maringá (UEM). Ao longo desse percurso, assumiu responsabilidades de gestão em diferentes setores e chegou à direção da Biblioteca Central.

Entre as atribuições administrativas e a rotina técnica da profissão, porém, permaneceu uma relação com os livros que ultrapassava as responsabilidades de bibliotecário. A literatura, especialmente a poesia, ocupava um lugar particular em seus interesses.

Quando conhecer os livros não significa estar pronto para publicar

Conviver profissionalmente com obras e autores não tornou necessariamente mais simples a decisão de se apresentar também como escritor.

Ademir conta que a vontade de escrever existia havia bastante tempo, mas havia uma dificuldade importante entre produzir algo para si e permitir que outras pessoas tivessem acesso àquelas palavras.

A questão é especialmente significativa quando se trata de poesia, uma linguagem que frequentemente carrega impressões, sentimentos e maneiras muito particulares de observar o cotidiano. Publicar significa aceitar que aquilo que antes pertencia ao espaço privado passará a receber interpretações, avaliações e sentidos construídos por outras pessoas.

Foi preciso ultrapassar essa resistência para que o bibliotecário assumisse uma nova posição diante dos livros que sempre fizeram parte de sua vida: a de autor. Dessa mudança nasceu sua primeira obra, Rimas, Rimadas.

A poesia encontrada no cotidiano

O processo criativo de Ademir não depende de uma rotina rígida ou de um tema previamente estabelecido. A inspiração pode aparecer a partir das pessoas, da natureza ou simplesmente de algo que desperte sua atenção.

É justamente a capacidade de observar que fornece matéria para seus versos. Em vez de procurar acontecimentos grandiosos para justificar a escrita, o autor permite que situações comuns provoquem ideias. Aquilo que chama seu olhar pode permanecer na memória, desenvolver-se e, posteriormente, ganhar forma poética.

Essa espontaneidade ajuda a compreender a relação de Ademir com a criação. Sua poesia não nasce da obrigação de produzir continuamente, mas da percepção de que determinados pensamentos merecem ser registrados.

O processo também não termina quando as primeiras palavras chegam ao papel. Atualmente, o escritor possui outros textos guardados, mas reconhece que ainda precisa trabalhá-los antes de pensar em transformá-los em novas publicações.

Para ele, encontrar uma ideia é apenas uma etapa. Depois, é necessário organizar, revisar e dar sentido ao conjunto.

Da organização das bibliotecas à liberdade dos versos

Existe um contraste interessante entre os dois territórios ocupados por Ademir. A Biblioteconomia exige método, organização, critérios e responsabilidade na gestão da informação. A poesia, por outro lado, permite maior liberdade para observar e expressar experiências. Em sua trajetória, essas duas dimensões não precisam competir.

O profissional que passou anos lidando com acervos conhece de perto a importância que um livro pode adquirir quando encontra seu leitor. Ao tornar-se autor, passa a experimentar essa relação por outro ângulo.

Já não está somente diante da obra produzida por outras pessoas. Agora, também precisa lidar com as escolhas, inseguranças e responsabilidades envolvidas na publicação de suas próprias palavras.

É uma mudança discreta, mas significativa dentro de uma carreira tão intimamente ligada ao universo dos livros.

Rimas, Rimadas e a estreia como autor

A publicação de Rimas, Rimadas representa justamente a concretização daquela vontade que durante muito tempo permaneceu acompanhada pelo receio da exposição. O livro marca sua estreia e inaugura uma etapa que ainda está sendo construída.

Ademir não apresenta sua carreira literária como um percurso já definido, repleto de lançamentos programados. Neste momento, sua atenção permanece concentrada na divulgação da primeira obra e na aproximação com os leitores.

É também um período importante para compreender os caminhos que sua escrita poderá seguir.

Depois de tantos anos convivendo com literatura a partir da perspectiva de bibliotecário e gestor, experimentar a recepção de um trabalho próprio acrescenta outra camada à relação que mantém com os livros.

Outros textos aguardam seu momento

Embora Rimas, Rimadas seja atualmente o centro de suas atenções, a escrita não parou.

Ademir já possui outros materiais produzidos. Ainda assim, prefere não antecipar projetos antes de considerar que os textos encontraram consistência suficiente.

Essa postura revela uma relação cuidadosa com o que pretende publicar. As ideias existem, mas precisam passar por amadurecimento até que possam formar algo que, em suas palavras, tenha mais sentido.

Por enquanto, portanto, não há necessidade de apressar uma segunda obra. O momento é de apresentar Rimas, Rimadas, acompanhar sua circulação e permitir que a experiência da estreia também influencie os próximos passos.

Um novo lugar entre as estantes

A trajetória de Ademir Henrique dos Santos ganha um significado particular justamente porque a publicação não representa sua entrada no universo dos livros. Ele já estava nele havia décadas.

Como bibliotecário, gestor e profissional da informação, acompanhou de perto o papel das bibliotecas na preservação e na circulação da produção intelectual. Como leitor, cultivou uma afinidade especial com a poesia. Faltava assumir a autoria que durante anos permaneceu limitada pela insegurança de mostrar seus próprios textos.

Com Rimas, Rimadas, Ademir finalmente atravessa essa fronteira e acrescenta uma experiência nova a uma vida profissional construída entre livros. A estreia não encerra um percurso nem estabelece imediatamente qual será o próximo destino de sua produção. Ela registra algo mais fundamental: o momento em que a vontade antiga de escrever encontrou coragem suficiente para deixar o espaço particular e chegar às mãos de outros leitores. O bibliotecário continua cercado por livros, mas agora há, entre eles, um volume que também carrega a sua própria voz.

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Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

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