Sara Jane Noal: conheça a autora que encontrou na maternidade um novo caminho para escrever sobre a infância

Todas as noites, os livros fazem parte de um momento especial na casa de Sara Jane Noal. Ao lado dos filhos, Estevan e Sebastian, ela lê, conta histórias e acompanha personagens por diferentes aventuras. O que começou como um hábito compartilhado em família acabou despertando uma vontade que Sara conhecia havia muito tempo, mas que permanecera guardada: escrever suas próprias histórias.

A literatura já fazia parte de sua vida, assim como o interesse pelo universo infantil. Foi, porém, depois do nascimento de Estevan que a escrita voltou a ocupar seus pensamentos com maior intensidade. Entre uma leitura e outra, surgiu uma pergunta bastante concreta: se gostava tanto de contar histórias aos filhos, por que não criar também as suas?

A resposta se transformou em A Cesta Misteriosa, seu primeiro livro infantil.

A estreia inaugurou uma trajetória que continuaria com Estevan e a Cidade dos Cristais e Tia Ester e Nino. Agora, Sara prepara também a publicação de O Sabor do Amarelo, pela Editora Ipê das Letras, obra que deverá chegar aos leitores no Brasil e em Portugal.

Um olhar profissional dedicado ao desenvolvimento infantil

A aproximação de Sara com a infância não acontece somente através da maternidade ou da literatura. Sua própria formação acadêmica demonstra um interesse contínuo pela maneira como crianças aprendem, percebem o mundo e se desenvolvem.

Graduada em Psicologia, ela possui pós-graduação em Psicopedagogia Clínica e Institucional e em Neuropsicopedagogia. Também é formada em Pedagogia, ampliando seu repertório sobre aprendizagem e desenvolvimento infantil.

Essa formação encontra na literatura outro campo de expressão.

Ao escrever para crianças, Sara parte de uma compreensão da infância como período marcado por descobertas, imaginação e construção de vínculos. O faz de conta, em sua percepção, não é um detalhe menor desse processo. É justamente uma das possibilidades pelas quais uma criança consegue transformar aquilo que está ao redor, experimentar situações e estabelecer suas primeiras relações com as histórias.

Por isso, sua produção literária nasce de uma proximidade real com o público para o qual escreve.

A maternidade e a coragem de publicar

Sara afirma que a escrita sempre fez parte de quem é. Durante muitos anos, entretanto, o desejo de transformá-la em um projeto concreto permaneceu adormecido.

A maternidade modificou essa relação.

Com o nascimento de Estevan e, posteriormente, na rotina de leituras compartilhadas com ele e Sebastian, Sara voltou a perceber a força que as histórias exerciam não apenas sobre as crianças, mas também sobre a relação construída entre eles.

Ler antes de dormir deixou de ser somente uma atividade cotidiana. Tornou-se um espaço de convivência.

Foi nesse ambiente que A Cesta Misteriosa começou a ganhar sentido.

Mais do que representar sua primeira publicação, o livro materializou uma vontade que havia esperado anos por uma oportunidade de ser desenvolvida. A maternidade não criou o interesse pela escrita, que já existia, mas ofereceu uma nova motivação para que Sara deixasse de mantê-lo apenas no campo das possibilidades.

Livros que aproximam crianças e adultos

Existe uma ideia importante orientando a maneira como Sara compreende a literatura infantil: um livro destinado às crianças também pode criar experiências para toda a família.

Quando um adulto se senta para ler com uma criança, a história ultrapassa aquilo que está impresso nas páginas. Há perguntas, comentários, interpretações e momentos compartilhados que passam a integrar a memória daquela leitura.

Sara conhece essa experiência dentro de casa.

É também por isso que acredita no potencial dos livros para estimular criatividade e imaginação, ao mesmo tempo que fortalecem vínculos afetivos.

Sua proposta como autora não está apenas em oferecer narrativas capazes de entreter. Ela procura contribuir para que o contato com a literatura aconteça de maneira positiva desde cedo, permitindo que curiosidade e prazer estejam associados ao ato de ler.

Nesse processo, cada história pode assumir significados diferentes dependendo da criança que a encontra.

Uma trajetória que começa a ganhar novos títulos

Depois de A Cesta Misteriosa, a produção de Sara avançou com outros projetos.

Estevan e a Cidade dos Cristais dá continuidade à sua presença na literatura infantil e carrega no próprio título uma referência diretamente ligada à maternidade que impulsionou sua trajetória como escritora.

Outro trabalho é Tia Ester e Nino, ampliando o conjunto de histórias desenvolvidas pela autora.

Agora, a próxima etapa está concentrada em O Sabor do Amarelo, atualmente em fase de publicação pela Editora Ipê das Letras. O lançamento terá circulação tanto no Brasil quanto em Portugal, levando o trabalho de Sara também aos leitores do outro lado do Atlântico.

A sequência de projetos mostra que aquela primeira pergunta surgida durante as noites de leitura não encontrou resposta em apenas um livro.

Escrever para deixar boas lembranças da leitura

Para Sara, a infância permanece como um território especialmente importante porque é justamente nesse período que muitas experiências deixam marcas duradouras.

Uma história ouvida repetidas vezes, um personagem favorito ou um livro compartilhado com alguém da família pode continuar presente na memória muitos anos depois.

Sua formação em Psicologia, Psicopedagogia, Neuropsicopedagogia e Pedagogia acrescenta diferentes perspectivas a esse interesse, mas a motivação para escrever também passa por algo bastante íntimo: a experiência de observar os próprios filhos envolvidos com as histórias que chegam até eles.

A trajetória literária de Sara Jane Noal nasceu, assim, do encontro entre uma vontade antiga e uma fase de sua vida que lhe ofereceu novos motivos para colocá-la em prática. Depois de A Cesta Misteriosa, vieram novos personagens, novas publicações e um projeto prestes a alcançar leitores no Brasil e em Portugal. Ao continuar escrevendo para crianças, Sara prolonga para outras famílias aquilo que experimenta com Estevan e Sebastian dentro de casa: a possibilidade de fazer da leitura um momento de encontro, imaginação e afeto, capaz de permanecer na memória mesmo depois que o livro é fechado.[

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Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

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