Sameerah Sy: a autora que transforma música, fantasia e identidade em universos literários imersivos

Para Sameerah Sy, as histórias nunca existiram em um único formato. Antes de se tornar autora, ela já encontrava narrativas em canções, filmes, séries, novelas e romances. Tudo aquilo que despertava emoção acabava sendo absorvido como matéria-prima criativa.

Essa relação com a narrativa começou ainda na infância. Enquanto muitas crianças apenas assistiam aos filmes de que gostavam, Sameerah fazia algo diferente: recontava essas histórias por escrito. Sem saber, já praticava aquilo que anos mais tarde seria conhecido como fanfiction. Era uma forma de prolongar os universos que a fascinavam.

Musicais, dramas, suspense e ficção científica ocupavam lugar especial entre suas preferências. Mas havia algo que atravessava todas essas influências e que, até hoje, continua sendo o eixo central de sua produção artística: a música. Mais do que uma inspiração, ela se tornou linguagem.

Uma artista que não separa som e narrativa

Diretora criativa, compositora, escritora e idealizadora de múltiplos projetos artísticos, Sameerah construiu uma trajetória pouco convencional dentro da literatura.

Mineira de origem, ela desenvolveu uma identidade autoral baseada na fusão entre diferentes formas de arte. Seus livros não nascem apenas da escrita. Eles dialogam com canções, trilhas sonoras, elementos visuais e construções narrativas que se expandem para além das páginas.

Essa proposta deu origem ao chamado Sameerah Sy Multiverso, um ecossistema criativo onde fantasia sombria, fantasia urbana, romance e elementos de ficção científica coexistem em universos conectados.

Ao redor dessas histórias surgiram outros projetos complementares, como a marca Oitava de Segundo, dedicada a produtos inspirados em seus personagens, e a banda digital ficcional D&S Days and Songs, criada em parceria com Dito Brito para desenvolver trilhas sonoras originais relacionadas às obras.

O objetivo é transformar a leitura em uma experiência que envolva diferentes sentidos.

O nascimento de uma história que começou como necessidade

Entre todas as suas criações, talvez nenhuma seja tão pessoal quanto a trilogia Ela é o Meu Pecado.

A origem da obra remonta a 2004, período em que Sameerah começava a compreender sua própria sexualidade. Criada em uma família conservadora e católica, ela enfrentava sentimentos complexos. Não sentia culpa diante de quem era, mas carregava o peso de imaginar a decepção que poderia causar à família, especialmente à mãe.

Foi nesse contexto que nasceu o pseudônimo Sameerah Sy. Mais do que um nome artístico, ele funcionava como proteção. Um espaço seguro para escrever sobre sentimentos que ainda não conseguia expressar abertamente.

Inspirada pela canção She Is My Sin, da banda finlandesa Nightwish, criou Cyn, protagonista intensa, rebelde e emocionalmente complexa que daria início à trilogia.

O que começou como uma ficção original publicada em plataformas online acabaria se transformando em seu primeiro grande projeto literário.

Da internet para os livros

Em 2011, Sameerah ingressou no curso de Letras em uma universidade pública. Foi durante esse período que o universo iniciado anos antes ganhou forma definitiva.

Os textos publicados na internet se transformaram em romances. O primeiro volume da trilogia foi lançado em 2014. O segundo, Asas da Luxúria, chegou ao público em 2015.

Mas a história não seguiu adiante imediatamente. A carreira na educação passou a ocupar o centro de sua vida profissional. Servidora pública há 19 anos, Sameerah dedicou-se ao trabalho como educadora e deixou aquele universo literário em pausa.

Até que, em 2026, decidiu retornar. Não apenas para continuar a trilogia, mas para reescrever, revisar e reconstruir parte da narrativa com a maturidade acumulada ao longo dos anos.

Karl e a música que atravessa o tempo

Outro marco importante em sua trajetória surgiu em 2021, quando iniciou, ao lado de Dito Brito, o projeto Karl no Controle do Tempo.

A autora Sameerah Sy e Dito Brito: parceiros na criação das trilhas sonoras dos livros

A ideia nasceu depois que ambos, juntamente com Renata Porto e Carolina Lourenço, compuseram cerca de cem canções autorais durante o ano de 2020.

Em vez de deixar aquelas músicas existirem isoladamente, decidiram construir uma narrativa capaz de abrigá-las. Assim nasceu Karl, um jovem que descobre a capacidade de viajar no tempo através da música.

O romance mistura fantasia, luto, superação e viagens temporais, estabelecendo uma das características mais marcantes da obra de Sameerah: a impossibilidade de separar música e literatura.

Bastidores do Videoclipe “Canção de Etrom – Abrasiva. Na imagem, estão presentes o Produtor Musical e Diretor de Audiovisual Ednilson Silva, o Edinho, dos estúdios VOKASOM e VOKACINE Films, os atores Victor Silva, Ariane Tavares e Anderson Duarte, e a autora Sameerah Sy.

A seguir, assista o videoclipe com a trilha sonora do livro KARL no Controle do Tempo. Essa é a Trilha do Antagonista Etrom. O videoclipe foi gravado no Cemitério do Bonfim em Belo Horizonte (MG). Além de ser uma composição que leva a autoria de Sameerah, a produção do vídeo foi realizado por ela. A autora também assina o roteiro do clipe.

Lançado em formato físico e digital em 2025, o livro agora caminha para uma nova etapa com a produção de seu audiobook.

Literatura transmídia como assinatura autoral

Quando fala sobre seu estilo literário, Sameerah costuma usar uma definição pouco comum: conectividade transmídia.

Na prática, isso significa que seus livros são construídos para dialogar com outras linguagens artísticas.

As canções não funcionam apenas como referência estética. Elas influenciam ritmo, atmosfera, desenvolvimento emocional e até mesmo a estrutura narrativa.

Sua formação em Letras contribui para esse processo, mas é sua experiência como compositora que dá identidade à escrita.

Os textos possuem musicalidade própria, enquanto as músicas expandem as histórias. É um fluxo constante entre palavra e som.

Personagens marcados por conflitos internos

Além da música, outro elemento recorrente em suas obras é a construção psicológica dos personagens. Protagonistas como Cyn e Karl carregam dores profundas, dilemas existenciais e conflitos que extrapolam as aventuras que vivem.

São personagens moldados por perdas, descobertas, desejos e transformações. Heróis e anti-heróis que frequentemente precisam enfrentar não apenas ameaças externas, mas também seus próprios fantasmas.

Essa dimensão emocional é um dos aspectos que tornam suas narrativas tão pessoais.

Um universo que continua crescendo

Paralelamente à produção dos romances, Sameerah também participou de coletâneas importantes, como Contos de Cantos de Minas, projeto cultural realizado através da Lei Aldir Blanc, além de antologias como Com a Palavra, a Mulher, Antologia 32 e Contos para Ler Quando o Amanhã Chegar.

Mas seus projetos mais ambiciosos continuam ligados aos universos próprios que criou.

O audiobook de Karl no Controle do Tempo, produzido em parceria com o estúdio VOKASOM, tem lançamento previsto para o final de 2026. A produção contará com trilha sonora original, narração profissional e uma proposta que amplia ainda mais a experiência transmídia idealizada pela autora.

No mesmo período, ela também pretende lançar a nova edição de Asas da Luxúria, dando continuidade ao processo de reconstrução da trilogia Ela é o Meu Pecado.

Uma autora que escreve para ser ouvida

Ao olhar para sua trajetória, fica evidente que Sameerah Sy nunca tratou literatura e música como linguagens separadas. Para ela, ambas nascem da mesma necessidade: contar histórias capazes de provocar emoção, identificação e reflexão.

Seus livros surgem da escrita, mas continuam ecoando em canções, personagens, trilhas sonoras, audiovisual e experiências que ultrapassam os limites tradicionais da leitura.

Talvez por isso suas obras sejam tão difíceis de encaixar em uma única definição. Porque, no universo criado por Sameerah, as histórias não terminam quando a página acaba. Elas continuam muito depois, como uma música que permanece na memória mesmo quando o silêncio já tomou conta do ambiente.

Siga a autora no Instagram e fique por dentro de todas as novidades.

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Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

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