Cilene Resende: conheça a autora que transforma sentimentos, mar e movimento em poesia
A vida de Cilene Resende é marcada por movimento, e não apenas no sentido literal. Natural de Maringá, no Paraná, ela construiu uma trajetória plural que atravessa diferentes áreas da vida: é advogada formada pela Universidade Estadual de Maringá, pós-graduada pela Escola da Magistratura do Paraná, empresária no setor de seguros, bailarina, mãe, esposa e, acima de tudo, uma observadora curiosa do mundo.
Atualmente responsável pela gestão financeira de suas empresas, Cilene encontrou na literatura um espaço onde o movimento ganha outra dimensão. Se na dança o corpo expressa aquilo que palavras nem sempre conseguem dizer, na poesia ela descobriu um caminho sensorial para explorar emoções, sensações e inquietações.
Essa busca se materializa em seu primeiro livro de poesia, “O Mar é uma Pista de Dança”, obra que conquistou reconhecimento ao se tornar finalista do Prêmio Escritoras Brasileiras 2025.
A formação de uma leitora apaixonada
Antes de assumir a identidade de escritora, Cilene sempre foi, sobretudo, uma leitora apaixonada. Desde a infância, cultivou o hábito da leitura e também da escrita, registrando pensamentos, versos e ideias que surgiam de forma espontânea.
Durante muito tempo, porém, publicar um livro não era exatamente um objetivo consciente. A escrita existia mais como um exercício pessoal, quase íntimo, do que como projeto literário. Essa percepção começou a mudar quando ela passou a frequentar clubes de leitura, tanto on-line quanto presenciais.
Foi nesse ambiente que Cilene mergulhou mais profundamente no universo literário. Conheceu autores, participou de debates, frequentou festas literárias e passou a conviver com pessoas que respiram literatura: leitores, escritores e mediadores culturais.
Esse contato foi decisivo para que a escrita deixasse de ser apenas uma prática pessoal e ganhasse a possibilidade de alcançar novos leitores.
“Eu fui muito incentivada a publicar”, costuma dizer. O estímulo vindo da comunidade literária ajudou a transformar uma prática antiga em um projeto concreto.
A criação de um universo poético sensorial
“O Mar é uma Pista de Dança” nasce de uma inquietação muito específica: compreender como os sentimentos se manifestam no corpo. A autora se propôs a explorar sensações físicas provocadas por emoções intensas: amor, paixão, desejo, frustração, melancolia, raiva, saudade.
Para conduzir essa investigação poética, Cilene criou um eu lírico incomum: uma sereia. Essa criatura mítica, meio humana, meio fantástica, surge no livro como uma observadora e experimentadora dos sentimentos humanos. Ícone de sensualidade e perigo nas narrativas mitológicas, a sereia permite que a autora explore o desejo e a imaginação com liberdade simbólica.

Na narrativa poética do livro, essa sereia decide mergulhar no universo das emoções dos seres humanos. Ela dança conforme o movimento das ondas, deixando-se conduzir pelas correntes do sentimento; forças tão imprevisíveis quanto o próprio mar.
O resultado é um livro que mistura sensualidade, imaginação e reflexão emocional, criando uma atmosfera onde o mar se transforma em metáfora das oscilações da vida afetiva.
Poesia como dança das emoções
O título do livro não é casual. Para Cilene, há uma relação direta entre movimento e emoção. Assim como a dança traduz sentimentos por meio do corpo, a poesia pode traduzir aquilo que muitas vezes não encontra forma na linguagem cotidiana.
No livro, cada poema funciona como um passo de dança sobre as águas: às vezes suave, às vezes intenso, às vezes turbulento.
Essa construção simbólica revela uma autora interessada não apenas em narrar emoções, mas em sentir e reproduzir suas vibrações físicas. O desejo, a raiva, o amor e a desilusão aparecem como movimentos inevitáveis; tal como as ondulações do mar.
Nesse sentido, a poesia de Cilene dialoga com a experiência sensorial do leitor. Os versos não se limitam à reflexão intelectual; eles convidam o leitor a experimentar as emoções.
Um processo de escrita caótico e intuitivo
Apesar da delicadeza que marca seus poemas, o processo criativo da autora está longe de ser organizado ou metódico. Cilene descreve sua forma de escrever como caótica, uma consequência natural da tentativa de equilibrar múltiplas responsabilidades.
Entre trabalho, vida familiar, tarefas domésticas e exercícios físicos, encontrar um momento exclusivo para escrever nem sempre é possível. Por isso, ela desenvolveu um método próprio: registrar tudo.
Ideias, frases, versos, fotografias mentais e inspirações surgem em momentos inesperados; e vão diretamente para o bloco de notas do celular.
Mais tarde, quando encontra tempo, a autora retorna a esses registros e começa a montar o que ela mesma descreve como um quebra-cabeça poético.
Fragmentos dispersos se transformam em poemas completos. Sensações anotadas às pressas ganham forma literária.
Participação no cenário literário
Além de seu livro autoral, Cilene também participou de antologias publicadas por editoras independentes como Editora Patuá, Editora Literunico e Editora Oito e Meio, ampliando sua presença no cenário literário contemporâneo.
Seu envolvimento com a literatura, contudo, vai além da escrita. A autora também esteve entre as realizadoras da primeira Off-FLiM de Maringá, evento que amplia a programação da Festa Literária de Maringá e fortalece a circulação de escritores, leitores e mediadores culturais.

Essa atuação demonstra que sua relação com a literatura é também coletiva, marcada pelo desejo de construir espaços de encontro e diálogo.
Novos projetos e próximos livros
Embora a poesia tenha sido sua porta de entrada na publicação, Cilene não pretende limitar sua escrita a um único gênero. Ela afirma que continua escrevendo constantemente e que novos projetos estão em desenvolvimento.
Entre eles está um novo livro de poemas que deverá integrar uma coleção literária dedicada a autores que trabalham a palavra com rigor artístico, mas que muitas vezes estão fora do circuito editorial mais comercial.
A coleção reúne poetas ligados a editoras independentes e projetos autorais, valorizando uma produção literária que se desenvolve longe das tendências de mercado, mas com forte compromisso estético. O lançamento desse novo livro está previsto para o segundo semestre de 2026.
Entre negócios, dança, maternidade e literatura, Cilene Resende segue construindo uma trajetória onde o movimento é constante.
Seja nas ondas do mar metafórico de sua poesia, seja nos encontros literários que ajudam a fortalecer a cena cultural de sua cidade, sua escrita permanece ligada à experiência sensorial da vida.
Afinal, como sugere o título de seu livro, às vezes a melhor forma de compreender os sentimentos é simplesmente aceitar o convite e dançar com eles.
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