Despertar, de Claudio Schroeder Möller, é uma fantasia envolvente que transforma a rotina de um adolescente em algo inquietante e impossível de ignorar
Despertar começa em um lugar muito comum: um sábado qualquer, um garoto de 16 anos acordando tarde, lidando com a família, com amigos, com aquela sensação meio automática de viver no piloto automático. Diego não tem nada de especial, pelo menos não no início. E talvez seja exatamente por isso que tudo o que vem depois funcione tão bem.
O primeiro “sonho” já quebra essa normalidade de forma sutil, mas desconfortável. Não é só a estranheza da cena, é a sensação que fica depois. Diego acorda com algo que não faz sentido explicar: um cheiro de queimado na própria cabeça. Pequeno detalhe, mas suficiente pra bagunçar tudo.
A partir daí, o livro começa a brincar com essa linha fina entre sonho e realidade de um jeito que prende fácil.
Quando o sonho não termina ao acordar
O que mais chama atenção em Despertar não é só a ideia de viajar para outros mundos enquanto dorme, mas a forma como isso afeta o Diego quando ele está acordado. Não existe separação limpa. O corpo reage, os objetos se movem, o tempo parece falhar. E isso vai crescendo.
No começo, é o cheiro de queimado. Depois, desmaios, lapsos, sensações físicas que não deveriam existir. Quando ele percebe, já não dá mais pra tratar aquilo como imaginação.
E o livro não apressa essa descoberta, ele deixa o desconforto se instalar aos poucos: na rotina, nas conversas com os pais, nas interações com os amigos.
Tem uma naturalidade muito boa nesses momentos mais cotidianos, que contrasta com o absurdo que vai surgindo. Isso ajuda a história a ficar mais próxima, mais fácil de sentir.
Um outro mundo que realmente desperta curiosidade
Quando Diego começa a acessar essa “outra Terra”, o livro ganha um novo ritmo. A ambientação aqui é um dos pontos mais fortes da história. Tem tecnologia estranha, pessoas que parecem humanas mas não são exatamente, cidades diferentes, detalhes que dão aquela sensação clássica de fantasia: descoberta.
Mas não é uma fantasia confortável. Tem algo sempre meio fora do lugar. As pessoas são estranhas, os comportamentos não seguem exatamente o que ele espera, e existe uma tensão constante de que ele não pertence ali.
O encontro com personagens como Góes deixa isso ainda mais evidente. Ao mesmo tempo que existe acolhimento, também existe desconfiança, principalmente quando surge a ideia de que talvez Diego não esteja “visitando” esse mundo… mas sim sendo parte de algo que deu errado. E essa possibilidade muda tudo.
Entre o cotidiano e o extraordinário
Enquanto isso, a vida “normal” continua acontecendo. Escola, provas, insegurança, amizade, o início de um relacionamento com Alessa, e essa parte funciona muito bem porque não é deixada de lado. Pelo contrário, ela ganha peso justamente porque o Diego está dividido entre dois mundos.
O romance com Alessa traz um respiro mais leve pra narrativa. Tem aquela construção tímida, os encontros, as conversas simples, o jeito meio desajeitado de quem ainda está descobrindo o que sente. Funciona porque é sincero.
Mas nem isso fica totalmente seguro. Porque até nesses momentos o estranho invade. Um comentário sobre cheiro de queimado, um olhar mais atento, pequenas coisas que lembram o tempo todo que algo não está certo.
Quando o controle começa a escapar
Conforme a história avança, o que antes parecia curioso começa a ficar perigoso.
Diego não controla quando vai, nem para onde vai. Ele simplesmente é puxado. E, em alguns momentos, a sensação não é de viagem; é de queda, de perda de controle, de estar no lugar errado sem saber como sair.
Isso fica ainda mais forte quando surgem elementos maiores, como a presença de organizações e personagens que sabem mais do que ele. A ideia de que ele pode ser “um defeito” não é só uma teoria jogada, ela carrega um peso que muda a forma como ele passa a se enxergar.
E isso traz um conflito interessante. Porque não é só sobre salvar alguém ou resolver um problema externo. É sobre entender o próprio lugar naquilo tudo.
Uma fantasia com ritmo de descoberta
A escrita do Claudio Schroeder Möller é direta, fluida e muito fácil de acompanhar. Não tem excesso de explicação, e isso funciona bem, porque mantém o mistério ativo. O leitor descobre as coisas junto com o Diego.
A leitura tem aquele ritmo de curiosidade constante: sempre tem algo novo acontecendo, algum detalhe estranho, alguma informação que muda a percepção do que está acontecendo. Não é uma narrativa parada, ela sempre empurra pra frente.
Ao mesmo tempo, o livro consegue manter momentos mais leves, principalmente nas interações familiares e nas cenas do cotidiano. Isso equilibra bem o tom, evitando que a história fique pesada demais.
Uma história sobre atravessar limites mesmo sem entender como
No fim, Despertar funciona muito mais pela sensação que constrói do que por respostas imediatas. É um livro sobre não entender o que está acontecendo e, mesmo assim, continuar.
Sobre ser tirado da própria realidade e precisar lidar com algo muito maior do que você estava preparado.
E principalmente sobre essa ideia inquietante: e se aquilo que você achava que era só um sonho… fosse, na verdade, o começo de alguma coisa?
A história não entrega tudo de uma vez, e isso é parte do que faz ela funcionar. Ela planta dúvidas, cria possibilidades e deixa o leitor com aquela curiosidade incômoda de querer saber até onde aquilo vai.
E, quando você percebe, já está tão envolvido quanto o próprio Diego, tentando entender o que é real, o que não é… e o que pode acontecer se ele não conseguir controlar nenhum dos dois.
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