Gil Camargo: conheça o autor que escreve sobre o tempo sem suavizar suas marcas
Aos 71 anos, Gilberto Gil Camargo, ou simplesmente Gil Camargo, como assina suas obras, construiu uma trajetória que não segue o ritmo comum do mercado literário. Luso-brasileiro, casado, pai de duas filhas e avô de duas netas, ele escreve com a maturidade de quem não precisa provar nada, mas ainda assim tem muito a dizer.
Sua relação com a escrita não é recente. Desde a década de 90, quando publicou o livro de poesias Aquelas coisa tudo, a literatura já fazia parte de sua vida. Mas, ao contrário de muitos autores que mantêm uma produção contínua e visível, Gil percorreu um caminho mais discreto, intercalando períodos de escrita com outras experiências.
Entre elas, um projeto que marcou sua atuação fora da literatura: durante 12 anos, manteve o site esportivo Futiba, onde publicou textos e análises, criando uma conexão com leitores por meio de outro tipo de narrativa; mais direta, cotidiana, ligada ao presente.
O retorno com uma proposta pouco confortável
Foi apenas em 2025 que Gil Camargo voltou ao cenário literário com mais força, lançando o livro Velhice Sinistra, pela editora Ipê das Letras.
A obra rapidamente chamou atenção de leitores e jornalistas, não apenas pela qualidade da escrita, mas principalmente pelo tema que escolhe enfrentar.
Falar sobre a velhice ainda é, em muitos contextos, um território evitado. Há uma tendência a suavizar, romantizar ou simplesmente ignorar o que o tempo traz de mais duro. Gil segue na direção oposta.
A velhice sem filtro e sem idealização
Velhice Sinistra não é uma obra que se apoia em nostalgia ou em visões idealizadas da terceira idade. Pelo contrário, o autor constrói uma narrativa que explora as contradições, os desconfortos e, em muitos momentos, o aspecto inquietante do envelhecer.
Há ironia, há crítica e, sobretudo, há lucidez. Gil escreve sobre o tempo com a autoridade de quem o viveu, mas também com o distanciamento de quem observa.

Essa combinação dá ao livro uma camada interessante: ele não se limita ao relato pessoal, mas amplia a discussão para algo mais amplo. O resultado é uma obra que provoca.
Uma escrita que não se apressa
Diferente de autores que produzem sob pressão de mercado, Gil Camargo mantém um processo criativo simples e deliberadamente desacelerado.
Embora viva em São Paulo, é em Sarapuí, uma pequena cidade do interior, que encontra o ambiente ideal para escrever. É ali, longe do ritmo acelerado da capital, que organiza suas ideias, constrói seus textos e se reconecta com o silêncio necessário para a criação.
Há um elemento simbólico nesse processo: ele escreve em uma antiga escrivaninha, a mesma que aparece na capa de Velhice Sinistra. Mais do que um detalhe, isso revela algo sobre sua relação com o tempo: não há pressa em abandonar o que ainda faz sentido.
Entre poesia, conto e narrativas longas
Além do romance, Gil Camargo também transita por outros gêneros. Após o lançamento de Velhice Sinistra, teve o conto Olhai os lírios selecionado no Prêmio Anna Maria Martins, o que reforça sua presença no cenário literário contemporâneo.

Também teve três poesias escolhidas para a coletânea Pequenas imensidões, retomando uma linguagem que marcou o início de sua trajetória.

Essa diversidade revela um autor que não se limita a um formato específico. Ele escreve conforme a ideia exige, seja em verso, conto ou narrativa longa.
Uma trilogia em construção
Velhice Sinistra não é uma obra isolada. Faz parte de uma trilogia que ainda está em desenvolvimento. O segundo livro já está sendo escrito e tem previsão de lançamento para novembro deste ano.
Embora poucos detalhes tenham sido divulgados, a expectativa é de continuidade temática, aprofundando reflexões iniciadas no primeiro volume e expandindo o universo narrativo construído por Gil.

Essa escolha por uma trilogia indica algo importante: há um projeto em andamento, uma linha de pensamento que não se encerra em um único livro.
O tempo como matéria-prima
Se há um elemento central na escrita de Gil Camargo, é o tempo.
Não apenas como tema, mas como matéria-prima. Ele escreve com a consciência de quem acumulou experiências, observações e, principalmente, distanciamento suficiente para olhar para certas questões sem urgência ou necessidade de agradar.
Isso se reflete no tom de seus textos: não há tentativa de suavizar, nem de dramatizar excessivamente. Há uma espécie de equilíbrio entre ironia e seriedade, entre crítica e aceitação.
Um autor que escreve sem concessões
A trajetória de Gil Camargo não é marcada por grandes estratégias de posicionamento ou presença constante no mercado. E talvez seja justamente isso que torna sua escrita mais livre.
Ele não parece interessado em atender expectativas externas.
Escreve o que considera necessário. E isso, em um cenário muitas vezes guiado por tendências, se torna um diferencial.
Entre o silêncio e a palavra
A imagem do autor escrevendo em uma pequena cidade do interior, em uma escrivaninha antiga, diz tanto quanto seus livros. Há ali uma escolha clara por desacelerar, por observar, por dar tempo às ideias.
E talvez seja esse o ponto mais interessante de sua trajetória. Gil Camargo não escreve de forma apressada. Ele escreve a partir do tempo dele.
E é justamente por isso que sua literatura não soa apressada, nem descartável. Ela carrega o peso e a precisão de quem entende que algumas histórias só fazem sentido quando são escritas no momento certo.
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