Ana Veritas: entre névoas, magia e romance, conheça a autora que constrói mundos fantásticos

Antes de escrever, Ana Veritas já vivia muitas vidas. Não no sentido literal, mas na forma como atravessava histórias. Leitora voraz desde cedo, encontrou nos livros, especialmente nos romances e na fantasia, uma maneira de expandir o próprio olhar. Cada página era um deslocamento, cada narrativa um novo território.

Foi nesse movimento contínuo de leitura que algo começou a se transformar. Não era apenas o prazer de consumir histórias, mas uma inquietação crescente: imaginar o que ainda não estava escrito. Aos poucos, aquela leitora que atravessava universos passou a desejar construí-los.

E foi assim que nasceu o primeiro esboço do que viria a se tornar A Ordem da Luz e da Ilusão.

Da fantasia clássica ao romance como força narrativa

A trajetória de Ana como autora não começou com planejamento estruturado, mas com excesso de imaginação. As ideias surgiam com intensidade, quase sem pausa.

Primeiro vieram as influências da fantasia clássica: guerras, espadas, sistemas de magia bem definidos. Depois, o interesse por mistério. Até que, em algum ponto, o romance deixou de ser apenas um elemento secundário e passou a ocupar o centro.

Ao incorporar o romance como eixo narrativo, Ana passou a explorar não só o que acontece em seus mundos, mas o que seus personagens sentem enquanto tudo acontece. Relações, tensões, vínculos e escolhas passaram a ter tanto peso quanto as construções fantásticas.

O resultado foi um tipo de escrita que não se encaixa completamente em um único gênero.

Romantasia: onde romance e fantasia caminham juntas

Foi apenas quando encontrou o termo “romantasia” que Ana Veritas conseguiu nomear aquilo que já vinha construindo intuitivamente: a fusão entre romance e fantasia em um mesmo eixo narrativo.

Mas, no caso dela, essa combinação não é superficial. Se por um lado há o desenvolvimento de relações que envolvem o leitor emocionalmente, por outro existe um cuidado evidente na construção de mundo: com sistemas de magia, estruturas internas e regras próprias.

A influência da estética Dark Academia também aparece, especialmente na atmosfera: ambientes densos, intelectuais, com uma tensão constante que atravessa os cenários e os personagens.

Outro elemento central em sua escrita é o uso de reviravoltas. Não como recurso isolado, mas como parte da arquitetura narrativa. Ana constrói suas histórias com camadas, deixando pistas ao longo do caminho, muitas vezes imperceptíveis na primeira leitura. A intenção é clara: fazer o leitor voltar.

Um processo criativo guiado por imagens e lugares reais

Diferente de autores que partem de estruturas conceituais, o processo criativo de Ana Veritas é profundamente visual. Suas histórias começam como imagens, atmosferas, cenários que se formam antes mesmo da narrativa ganhar forma.

E esses cenários não são aleatórios. Viagens tiveram papel decisivo na construção de A Ordem da Luz e da Ilusão. As névoas de Edimburgo, na Escócia, e as paisagens históricas de Toledo, na Espanha, influenciaram diretamente a criação do Instituto Vesperion; um dos principais espaços da obra.

Essa conexão com lugares reais dá à narrativa uma sensação de densidade. Os ambientes não são apenas descritos; eles carregam textura, história e tensão.

O universo de Gaia e suas camadas ocultas

Dentro do universo criado por Ana, há uma constante: nada é completamente confiável.

Seus mundos são habitados por personagens moralmente cinzentos, figuras que escondem intenções, que operam em zonas de ambiguidade. Não há divisões claras entre certo e errado, e isso exige mais atenção de quem lê.

Outro elemento recorrente é a dinâmica de found family, a chamada “família encontrada”. Grupos formados não por laços de sangue, mas por circunstâncias, escolhas e, muitas vezes, caos. Relações intensas, imperfeitas, que se constroem em meio a conflitos.

Além disso, Ana trabalha com múltiplos pontos de vista (POVs), permitindo que a narrativa seja vista por diferentes ângulos. Essa escolha amplia a complexidade da história e reforça a ideia de que não existe uma única verdade.

Seu próprio aviso aos leitores resume bem essa proposta: em Gaia, confiar pode ser um erro.

Uma saga em expansão

A Ordem da Luz e da Ilusão não é uma história isolada. É o início de uma saga planejada em quatro volumes, cada um centrado em uma das Ordens Vesperi.

A proposta é expandir o universo gradualmente, revelando novas camadas, personagens e conflitos a cada livro.

Paralelamente, Ana também pretende revisitar histórias que escreveu no passado, inicialmente apenas para si. Textos que ainda não foram compartilhados, mas que fazem parte desse mesmo universo e que, em algum momento, devem ganhar espaço.

Entre o que se revela e o que permanece oculto

A trajetória de Ana Veritas como autora está diretamente ligada à forma como ela consome e interpreta histórias. Sua escrita nasce de uma combinação clara: leitura intensa, imaginação ativa e uma busca constante por construir narrativas que não se entregam de imediato.

Seus livros não são feitos para serem consumidos rapidamente e esquecidos. Eles pedem atenção, retorno, releitura.

Porque, como ela mesma sugere, as pistas estão sempre lá.

E talvez seja justamente isso que define sua escrita: a capacidade de criar mundos onde o leitor não apenas acompanha, mas precisa, de fato, se envolver para compreender.

Siga a autora no Instagram e fique por dentro de todas as novidades.

Tagged:
Jornalista formado pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e Mestre em Comunicação pela UFPE. Amante da cultura pop, apaixonado por livros e adora escrever sobre temas diversos. Além disso, é um entusiasta de música, filmes e séries, sempre buscando explorar e compartilhar suas impressões sobre o mundo do entretenimento.

LEAVE A RESPONSE

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Related Posts