Ercilo Dias: conheça o autor que levou personagens criados na juventude para a literatura de ficção
Muito antes de pensar em transformar suas ideias em um livro, Ercilo Dias já experimentava o prazer de inventar personagens. Ao lado dos irmãos, ainda muito jovem, criava figuras e histórias inspiradas pelo universo que encontrava nas revistas em quadrinhos e nos seriados de televisão. A brincadeira permitia construir aventuras próprias e dar novos destinos àquilo que surgia da imaginação. Anos mais tarde, esse repertório seria recuperado pelo autor e encontraria na literatura de ficção um espaço para finalmente ganhar forma.
Pseudônimo de Marcio Ercilo, Ercilo Dias nasceu em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1971. Sua trajetória profissional e acadêmica seguiu caminhos distintos da literatura, mas o interesse pela leitura e pela escrita permaneceu presente. Formado em Desenho Industrial pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e mestre em Educação pela Universidade Estácio de Sá, atualmente é funcionário público do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
Entre formação, profissão e literatura, Ercilo construiu um repertório marcado por diferentes áreas do conhecimento. É um leitor dedicado tanto à produção literária nacional quanto aos livros técnicos, mas encontra na Filosofia um interesse particular — campo que considera uma das tentativas mais genuínas e nobres do ser humano em sua busca pela verdade.
Histórias que começaram como brincadeira
A aproximação de Ercilo com a criação aconteceu cedo. Revistas em quadrinhos e seriados de televisão alimentavam o imaginário dele e dos irmãos, que não se contentavam apenas em acompanhar personagens já existentes. Eles também queriam inventar os próprios.
Assim surgiram figuras, situações e histórias construídas durante a juventude, em um exercício criativo que naquele momento não precisava obedecer às exigências de um projeto editorial. Criar era uma extensão natural daquilo que consumiam como leitores e espectadores.
O tempo passou, mas aquelas ideias não desapareceram completamente. A decisão de transportar os personagens para a ficção literária permitiu que Ercilo retomasse um universo nascido anos antes e o desenvolvesse com os recursos adquiridos ao longo de sua própria trajetória. O que começou como uma experiência compartilhada entre irmãos deixou de permanecer apenas na memória e passou a constituir matéria para sua produção como escritor.
Essa origem também revela uma característica importante de sua relação com a literatura: antes do livro, existiu a imaginação; antes da publicação, existiram personagens que já pediam histórias.
Um leitor de diferentes territórios
A formação de um escritor também acontece pelas leituras que acumula, e Ercilo nunca restringiu seus interesses a um único gênero ou campo.
A literatura nacional integra seu repertório, assim como obras técnicas relacionadas a diferentes assuntos. Essa diversidade acompanha uma curiosidade que encontra expressão especialmente forte em seu interesse pela Filosofia.
Para o autor, filosofar está relacionado à procura pela verdade. Essa percepção aproxima leitura e questionamento: mais do que encontrar informações, os livros podem abrir novas maneiras de interpretar a realidade, confrontar ideias e elaborar perguntas.

Embora sua produção esteja situada no campo da ficção, esse interesse oferece outra dimensão para compreender sua trajetória intelectual. Imaginar mundos e personagens não impede a reflexão sobre questões concretas. Pelo contrário, a ficção pode se tornar um território no qual diferentes ideias, comportamentos e conflitos encontram espaço para serem observados.
A leitura, nesse sentido, acompanha Ercilo tanto como entretenimento quanto como instrumento de formação.
Do desenho à construção de universos
A graduação em Desenho Industrial acrescenta outro elemento à trajetória do autor. Ainda que literatura e design sejam linguagens diferentes, ambas envolvem processos de criação e a necessidade de transformar uma ideia inicialmente abstrata em algo que possa ser apresentado a outras pessoas.
No caso de Ercilo, essa capacidade de imaginar já estava presente antes mesmo da formação universitária. Os personagens inventados com os irmãos são um exemplo de como a criação visual e narrativa se encontrava em suas referências desde cedo.
Quadrinhos, afinal, aproximam palavra e imagem de maneira particularmente intensa. Personagens não são construídos somente pelo que fazem ou dizem, mas também por sua aparência, seus gestos e pelo universo visual que ocupam.
Ao escolher posteriormente a literatura como caminho para recuperar suas criações, Ercilo realizou uma transição importante. Aquilo que poderia ser imaginado visualmente precisou encontrar existência por meio das palavras.
Cenários, personalidades, acontecimentos e conflitos passaram a depender da narrativa para chegar ao leitor.
Educação, serviço público e escrita
A trajetória acadêmica de Ercilo não terminou na área do design. Posteriormente, ele concluiu o mestrado em Educação pela Universidade Estácio de Sá, ampliando uma formação que já transitava por campos diferentes.
Profissionalmente, seguiu carreira no serviço público e atualmente atua no Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro.
A literatura passou a coexistir com essas outras dimensões de sua vida. Sua história como autor não se apresenta como resultado de um percurso exclusivamente dedicado às letras, mas como continuidade de uma relação antiga com leitura, imaginação e criação.
É justamente essa combinação que ajuda a compreender o caminho percorrido entre o jovem que inventava histórias e o adulto que decidiu transformá-las em ficção.
Quando personagens antigos encontram novas páginas
Recuperar criações da juventude significa também observá-las depois de uma longa distância. Entre o momento em que aqueles personagens foram imaginados e sua chegada à literatura, Ercilo acumulou experiências acadêmicas, profissionais e intelectuais que inevitavelmente ampliaram seu repertório.
A criança ou o jovem inspirado por quadrinhos e seriados continua presente na origem dessas histórias, mas agora divide espaço com o leitor interessado em literatura, conhecimento técnico e Filosofia.
A escrita torna possível reunir essas diferentes etapas. Ercilo Dias chega à literatura carregando personagens que atravessaram o tempo antes de alcançarem as páginas de um livro. Sua trajetória mostra uma criação que não nasceu repentinamente no momento de publicar, mas começou muito antes, quando inventar histórias era sobretudo uma forma de brincar ao lado dos irmãos.
Décadas depois, aquele exercício de imaginação encontrou outro suporte. Ao transformar personagens antigos em matéria literária, Ercilo não apenas recupera uma ideia da juventude: dá continuidade a uma relação com a ficção que amadureceu junto com ele e que agora pode ser compartilhada com novos leitores.
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