Zeca Silbonne: conheça o autor que investiga as estruturas invisíveis por trás de escolhas e comportamentos
Durante anos, José Carlos Silbonne de Souza, conhecido como Zeca Silbonne, trabalhou diante de problemas concretos do universo da tecnologia: produtos, sistemas, processos, indicadores e decisões empresariais. A experiência em posições de liderança, porém, ampliou seu interesse para questões menos evidentes. Por trás de uma dificuldade aparentemente técnica, poderia existir um problema de comunicação, cultura ou tomada de decisão. Essa percepção encontraria paralelo em outra investigação, mais pessoal, construída a partir de registros escritos em diferentes momentos de sua vida.
Natural de São Carlos, no interior de São Paulo, Zeca é executivo de tecnologia, consultor e autor. Depois de construir boa parte da carreira na capital paulista, retornou à cidade natal em 2020. Sua trajetória profissional inclui aproximadamente oito anos na TOTVS, período em que recebeu reconhecimentos profissionais, além da passagem por outros ambientes ligados à tecnologia e aos produtos digitais, assumindo responsabilidades crescentes em gestão e liderança.
Foi do encontro entre a experiência profissional e as perguntas acumuladas ao longo dos anos que nasceu A Estrutura Invisível, publicado em 2026 em edição física pela UICLAP e em versão digital para Kindle.
Registros separados pelo tempo
A relação de Zeca com a escrita não começou com um projeto de carreira literária. Durante anos, ele registrou pensamentos, acontecimentos, dúvidas e percepções sem imaginar que aquele material pudesse resultar em um livro.
Parte dessas anotações remonta a 2014. Quase uma década depois, durante um período em que enfrentava uma crise de ansiedade e fazia terapia, voltou a escrever e também a consultar registros antigos.
Ao colocar lado a lado textos produzidos em momentos tão distantes, percebeu algo que não havia identificado enquanto vivia cada experiência separadamente. Os acontecimentos eram outros, sua carreira havia avançado e as circunstâncias pessoais tinham mudado, mas determinadas perguntas, interpretações e reações apareciam novamente.

A terapia contribuiu para que ele observasse essas recorrências não somente como lembranças, mas como pistas sobre padrões que poderiam continuar atuando mesmo quando o contexto já havia se transformado.
A crise de ansiedade, portanto, não se tornou o assunto central da obra. Funcionou como um dos acontecimentos que aprofundaram uma investigação mais ampla sobre percepção, comportamento e repetição.
Das empresas para uma pergunta sobre comportamento
Enquanto examinava os próprios registros, Zeca reconhecia algo semelhante em sua experiência profissional. Mesmo em organizações cercadas de dados, ferramentas, processos e profissionais qualificados, certas decisões se repetiam e alguns problemas retornavam depois de aparentemente solucionados.
Com o tempo, passou a considerar que aquilo que estava visível nem sempre explicava suficientemente o que acontecia.
Um problema tecnológico poderia ter origem na tomada de decisão. Uma dificuldade de processo poderia esconder falta de clareza. Um comportamento atribuído a uma pessoa poderia estar relacionado ao próprio ambiente em que ela estava inserida. Até decisões apresentadas como racionais poderiam carregar pressupostos que ninguém havia questionado.

As duas experiências começaram, então, a convergir. Se indivíduos podem reproduzir padrões sem reconhecê-los imediatamente, organizações também podem perpetuar comportamentos e culturas sem compreender inteiramente as estruturas que os sustentam.
Essa aproximação forneceu o terreno para A Estrutura Invisível.
Um livro construído a partir de perguntas
Em vez de partir de uma teoria pronta, Zeca organizou a obra em torno de inquietações acumuladas ao longo da experiência. Quanto das decisões humanas é realmente consciente? De que maneira história pessoal, ambiente e cultura participam da interpretação de uma situação? O que influencia aquilo que enxergamos sem necessariamente receber nossa atenção?
Sua escrita assume um caráter ensaístico e reflexivo, mas procura preservar a acessibilidade. Referências filosóficas, históricas e científicas integram a discussão sem transformar o livro em um texto estritamente acadêmico.
O objetivo está menos em oferecer respostas definitivas e mais em modificar a maneira como determinadas perguntas são formuladas.
Essa escolha permite que A Estrutura Invisível circule entre dimensões pessoais e coletivas. Experiências individuais dialogam com questões organizacionais, enquanto temas como consciência, crenças, cultura, escolhas e relações ajudam a ampliar a investigação.

Desde a publicação, Zeca tem observado justamente essa variedade na recepção. Alguns leitores relacionam o conteúdo às próprias experiências; outros identificam conexões com liderança, organizações, comportamento e tomada de decisão. Para o autor, essa diversidade também dialoga com uma das ideias da obra: nossa percepção depende, em alguma medida, das estruturas a partir das quais observamos o mundo.
A escrita como extensão da trajetória profissional
Zeca não considera a literatura uma ruptura com a carreira executiva. Tampouco define o livro como um projeto exclusivamente autobiográfico. A obra nasceu da combinação entre vivências pessoais, terapia, leituras, conversas, observações e mais de uma década de atuação profissional.
Essa integração permanece em sua rotina atual. Além do trabalho executivo com tecnologia e produtos, ele desenvolve atividades de consultoria, produção de conteúdo, palestras e escrita.
A experiência corporativa continua oferecendo questões para sua reflexão, enquanto a escrita cria espaço para examiná-las sob outras perspectivas. Em ambas as áreas, permanece o interesse por aquilo que antecede a manifestação mais evidente de um problema: antes de tentar modificar uma situação, pode ser necessário compreender o que está contribuindo para produzi-la.
Um novo olhar sobre formas e padrões
A publicação de A Estrutura Invisível abriu caminho para um segundo projeto. Previsto para 2027, A Harmonia das Formas – Entre o Número e o Divino parte de uma inquietação diferente: a recorrência de padrões, formas, proporções e relações na natureza, na ciência, na arquitetura, na música, na arte e na experiência humana.
A proposta será filosófica e contemplativa, sem apresentar uma resposta religiosa ou doutrinária. Zeca pretende investigar a capacidade humana de reconhecer ordem, proporção, padrões e significado.
Os dois livros abordam assuntos distintos, mas compartilham um movimento intelectual semelhante. A escrita de Zeca Silbonne nasce da disposição de retornar ao que parece conhecido e examiná-lo por outra perspectiva. Foi assim ao confrontar anotações separadas por quase dez anos, ao observar problemas recorrentes nas organizações e ao transformar essas experiências em A Estrutura Invisível. Agora, diante de um novo projeto, o autor preserva a mesma curiosidade que deu origem ao primeiro: investigar o que pode estar presente diante de nós, influenciando nossa percepção, antes mesmo que consigamos reconhecê-lo.
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